Resolvi começar o ano falando em algo que acreditamos poder transformar o mundo: o Amor.

E para inspirar um pouco com essa energia contagiante, aqui vai mais uma das histórias da nossa viagem ao Perú.

Estávamos em Cusco, em uma longa fila para assistir um espetáculo de danças típicas. Na nossa frente 4 brasileiros: uma mãe e uma filha que estavam terminando suas férias e um casal de Brasília que havíamos encontrado em um Museu mais cedo. Atrás de nós um grupo enorme de estudantes peruanos do distrito de Pauza em Ayacucho.

Como todo grupo grande, fazendo brincadeiras pra tentar se distrair na demorada fila. Resolvi puxar papo. Rapidamente o grupo se armou em círculo ao meu redor. A calçada ficou pequena para tantas vozes prontas para interagir. Eu queria saber deles e eles de mim. O Danilo tinha saído da fila para comprar algo para beber e eu estava ali, envolta por 25 jovens.

Assim que disse ser brasileira as perguntas começaram. Queriam saber tudo, desde economia, clima, política, futebol, até o carnaval. Queriam saber como sambar e em troca me ensinariam suas danças típicas. Pedi reforço do casal de Brasília que entrou na conversa e se prontificou a ensinar uns passitos.

Os alunos estavam prestes a se formar para ingressar na Universidade, cada um almejando uma carreira distinta. A viagem para Cusco tinha sido organizada pela escola para que pudessem vivenciar um pouco da história peruana de perto. Ao mesmo tempo estavam em ritmo de despedida do colégio, naquela prévia nostálgica de um um tempo que ainda iria chegar.

Algumas coisas me chamaram atenção em nosso papo despretencioso nas ruas de Cusco…

Os jovens eram bastante politizados e tinham uma curiosidade sobre a cultura alheia acima da média. Percebi neles um imenso senso de pertencimento, raiz e patriotismo. De algum modo o Perú estava em seus corações e o orgulho pelas tradições nativas indígenas e incaicas totalmente arraigada. Algo não muito fácil de se ver latente nos jovens pelo mundo.

Vendo essa paixão pelas origens, aproveitei para perguntar se falavam Quechua (língua nativa) e pra minha surpresa, vários alunos se dispuseram a me ensinar. Aprendi algumas expressões, as quais compartilho por aqui:

Imanaya Kashkanki – como você está?!

Allinya – estou bem

Sunquypi Apakuyki – te levo em meu coração

Munakuyki – te quero

Sonq’oywan Munakuyki – eu te amo

O Danilo chegou bem quando estavam me ensinado como falar “eu te amo”, aproveitei para mostrar minha fluência macarrônica em Quechua e mandei um “Sonq’oywan Munakuyki” pra ele. O frisson foi enorme. Algazarra na rua. Foi um momento de sincronicidade bacana…

Pediram meu caderninho onde estava anotando algumas das frases aprendidas e quando e devolveram ele carregava uma bela lembrança: todos os nomes dos alunos assinados e a frase “Perú Kuyakuyki – con cariño para Brasil”. Ganhei abraços, beijos e sinceros votos de boa viagem e regresso à minha casa. Desejei um feliz caminho universitário à todos. A fila tinha começado a andar!

Foi uma troca amorosa de palavras e gestos simples em uma comum fila de rua. Momentos que fazem valer a vida e não se apagam facilmente da memória.

O amor é assim… simples, contagiante, vibrante. Transformador. Uma energia vigorosa de afeto pelo outro e por nós mesmos…

Gratidão aos 25 sonhadores Maricielo, Rocio, Nathaly, Max, Evelyn, Mayté, Miluska, Heliza, Keyla, Romario, Jhoei, Brigith, Jesús, Eduardo, Boris, Fernando, Luis, Daniela, Rodrigo, Yulissa, Brayan, Miguel, David, Jeferson e Mayra, que sigam suas vidas e realizem suas vontades de fazer deste um mundo melhor e mais amoroso.

Feliz ano novo de amor para todos!

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