Conversando esses dias sobre a viagem com alguns amigos, várias passagens voltaram à nossa cabeça. Momentos ora interessantes, ora marcantes mas que valem compartilhar.

A experiência de viver no mundo por mais de 2 anos é muito significativa e desperta inúmeras curiosidades aos olhos de quem vê de fora. Já escrevemos outras matérias contando um pouco de nossa experiência na estrada e resolvemos continuar fazendo esse exercício até que as boas histórias sejam todas contadas, aí será hora de colocar os pés em uma nova aventura.

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Viagem de ônibus de 14 horas pelo interior do Laos – de Vientiane para Luang Prabang

Sou uma pessoa extremamente curiosa. Acho que a curiosidade é algo que nos move adiante, talvez essa tenha sido a razão de saírmos mundo afora. Assim como eu, muitos – conhecidos e desconhecidos, querem saber detalhes do que vimos ou vivemos através de perguntas que muitas vezes se encontram …

Uma das perguntas mais frequentes é: em qual dos países visitados vocês viveriam?!

Eu sempre brinco que salvo raríssimas exceções … TODOS !! rsrsrsrs
Sério, o mundo é sensacional e muitos lugares tiveram um efeito hipnótico em nós. Mas amá-los não significa que realmente conseguiríamos neles viver. Por exemplo, o sul da Ásia é sensacional, algo de outro mundo!! Alguns lugares do Laos, da Tailândia, Vietnã, Indonésia, Malásia, etc … nos fizeram sonhar muito, muito mesmo, sonhamos em virar a mesa e pra lá mudar de mala e cuia, mas aí começam as complicações, e a primeiríssima é a língua. Cada um desses países tem um alfabeto maluco, letras que mais parecem hieróglifos, línguas com sons nunca ouvidos, e que provavelmente nunca seriam reproduzidos com exatidão por ocidentais como nós. Imaginem o tempo para se adaptar às línguas locais. Basta se colocar na seguinte situação: nós lindinhos vivendo no Laos e precisando contratar um serviço telefônico … quantos mesesssss nós levaríamos pra entender a negociação e como seria a nossa relação com o telemarketing local depois da linha em serviço?! Se aqui no Brasil o perrengue já é enorme já pensou no pequeno Laos?! Nossaaaaa …

Cingapura nos deu uma certa coceira na barriga, pois como ex colônia britânica, todos falam inglês, e a cidade tem o charme de uma Nova Iorque, o desenvolvimento de uma Hong Kong e toda a exuberância asiática como recheio. Esse é “o” lugar, a única coisa é que está a pelo menos 20 horas de vôo do Brasil. Bemmm longe, mas quem sabe um dia …

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Cingapura

A Espanha foi o país como um todo que mais nos atraiu, pois apresenta uma conjunção de fatores que muito nos agrada: a cultura forte, a gastronomia, a arquitetura, ahhhhhh a arquitetura, a língua, o povo – fomos extremamente bem recebidos por lá, e o clima moderado (um dos melhores da Europa). Mas a Espanha agora está passando por um momento econômico muito difícil e não é hora de se aventurar no país.

O México foi outro lugar pelo qual temos um grande amor e queremos voltar pois merece ser explorado mais vezes. O país é enorme com uma multiplicidade cultural e geografica gigantes que valem uma imersão. Na nossa passagem pela cidade de Mérida (capital do estado de Yucatan), quase paramos a viagem e por lá ficamos. Meu coração bateu muito forte por aquele lugar. O México é um país que está na nossa lista para quem sabe um dia, passarmos um tempo mais longo.

Acho que nos enxergamos vivendo outras vidas em diversos lugares, a questão é: estamos preparados para uma verdadeira mudança?! Mudar não é apenas uma questão espacial e geográfica e sim é inverter um paradigma, é estar disposto à zerar toda uma história e recomeçar. É se abrir de fato ao novo, nos 360 graus da vida e acho que essa é uma aventura que vale a pena apenas quando se tem certeza de ter encontrado a hora e a maturidade certas para isso.

Vocês tiveram problema com a gastronomia de algum país?! Passaram fome alguma vez?!

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Laksa, prato típico de Cingapura. Não sei ao certo se é bom mas é muitooo exótico

Pois é, os costumes gastronômicos são mesmo megaaaa diversos ao redor do nosso planetinha. Existem muitos costumes pra nós bemmm estranhos, muitos alimentos pra lá de exóticos mas que nos seus locais de origem são comuns. Realmente viajar é se aventurar por sabores ora excelentes ora … não tãoooo bons assim … mas é aí onde está um pouco da magia da vida.

Acho que todos já devem ter visto matérias falando sobre o hábito dos asiáticos em comer insetos e bichinhos estranhos, e isse costume é sim mais do que verdade. O Danilo por exemplo não conseguiu se segurar e experimentou no Camboja um grilo fritinho, que diz ele ser uma delícia; com gosto de salgadinho, e indica para tomar com uma cervejinha. Será??!! Afê … Os “bichinhos” são vendidos à granel nas ruas e nas lojas para um mercado consumidor gigante. Não tive a mesma “malícia” do Dan e preferi me manter longe dos besouros, formigas, gafanhotos e outras iguarias estranhas.

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Em geral nos adaptamos bem em todos os lugares, alguns como Itália, França e Espanha até bem demais e os quilinhos extras apareceram pra ajudar a contar história.

Um dia na Tailândia estávamos numa cidade chamada Ayutthaya em que os turistas em geral não se hospedam, apenas passam o dia, e nós resolvemos ficar um tempo. Alugamos bicicletas e saímos pedalando pela cidade para fazer um reconhecimento do local. A cidade é incrível, repleta de templos e construções super antigas pois foi a primeira capital do Reino da Tailândia. O sol estava fortíssimo e depois de algumas horas circulando a fome bateu, e foi junto com a fome que a saga pela comida começou. Os tailandeses tem manias alimentares muito diferentes das nossas e nas cidades menores a coisa aperta. Muitas das comidas são tão exóticas que é impossível reconhecer o que é, nem mesmo a que gênero pertencem. De sopas e caldos estranhos, frituras peculiares, empanados de sei lá o que, passando por alguns animais que não, não comemos, até o cheiro forte de alguns óleos e temperos usados que embrulham o estômago de qualquer um. Resumindo, rodamos, rodamos e rodamos e não encontrávamos um lugar que nos parecesse aceitável, ou que as pessoas falassem inglês para nos explicar as “raridades”, ou que nossos olhos ou olfato não nos coibissem ao pedido. O tempo foi passando e nada de um restaurante aceitável. Nada de um café ou uma lanchonete, até porque esse nosso conceito de lugar gostosinho lá não existe, salvo nos lugares super turísticos. Paramos num supermercadinho e novamente um banho de água fria, produtos e mais produtos que não fazíamos a menor idéia do que se tratassem: latas, pacotes fechados, e kits que não tem nenhuma conexão com produtos conhecidos por nós. Continuamos tentando e apenas encontrávamos barraquinhas de rua com bizarrices como um spaghetti verde doce feito numa maquininha na hora, bolachas coloridas em tons de pink, azul turquesa e amarelo, sucos com cara de água suja … afe, sem condição … nada, nada, nada e o sol comendo solto e a inanição chegando. De repente, avistamos um “oásis” no meio do nosso deserto, uma lojinha daquela marca Seven Eleven … parecia de fato uma miragem. Entramos quase 6 da tarde para nossa primeira refeição do dia: um sanduiche estranho de atum, um sorvete de creme e alguns vários saquinhos de batata chips com coca-cola. Esse foi talvez o dia mais crítico e a viagem estava só no começo. Passamos um tempo levando sempre nas mochilas alguma reserva de alimento mas graças a Deus conseguimos passar em branco nos próximos destinos. …

Como fazíamos para nos comunicar?!

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Placa nas ruas de Chiang Mai (Tailândia) … Dá pra entender ?!

Usamos inglês em 80% do tempo, os outros 20% usamos espanhol. O mundo em geral se comunica bem através do inglês, principalmente as novas gerações. Quando não conseguíamos nos fazer entender usávamos a mímica, que muitasss vezes quebra galhos e pasmem vocês, algumas vezes desenhamos para sermos compreendidos.

Mais do que a fala ou a língua em questão a linguagem do corpo é realmente algo de outro mundo. O corpo fala e fala mesmo, com o tempo fomos lapidando a nossa sensibilidade para sacar no corpo o que as pessoas tentavam nos dizer. Prestar atenção no tom de voz e no olhar também tem um poder incrível. A comunicação humana é recheada de sentimentos e se deixarmos os sentidos abertos podemos captar muito do que está sendo dito mesmo que formalmente não compreendamos nenhuma palavra.

Uma língua que achamos dificílima foi o holandês. A forma escrita é difícil mas a falada … mamaaaaa mia, impossível entender. A sorte é que por lá todos falam inglês e outras 500 opções de línguas. País desenvolvido é outra coisa.

Me lembro uma vez na Turquia ter feito uma entrevista incrível de motivação apenas através de mímica e desenho. E conseguimos nos entender bem … levo sempre comigo um bloquinho à tira colo que salvou a pátria várias vezes.

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Momento de comunicação por mímica e afeto com casal do interior da Capadócia (Turquia)

Vou parando por aqui deixando outras passagens para um próximo post. A conclusão desse papo todo é que para estarmos no mundo precisamos ter como premissa encarar as novidades e diferenças com peito aberto e fome de saber. É através daquilo que não temos e não somos habituamos que um universo paralelo de informações pode se revelar. Sair da caixa, da nossa caixa e da caixa que nos colocaram é primordial para entender e absorver o mundo ao nosso redor. Não existe experiência sem vivência e vivência real com armaduras. No jogo da vida os mais desprovidos de máscaras e “armas” muitas vezes são os que tem as melhores experiências, afinal a vida não é uma guerra … é arte.

Por Luah Galvão | Fotos Dan España

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