Da entrada do sítio arqueológico não podíamos ver muito do que nos esperava, caminhamos por uma trilha estreita e pouco antes de chegarmos ao local principal o guia disse “Fechem os olhos!”. Depois de alguns passos “no escuro”, demos de cara com o incrível visual. Caminhamos boquiabertos tamanha precisão arquitetônica e magnitude do que os Incas haviam construído.

Pisac é um dos sítios arqueológicos mais impressionantes que visitamos no Perú. Distante 33 quilômetros de Cusco, seus terraços niveladíssimos acompanham a curvatura das montanhas, desenhando verdadeiras arquibancadas em meio ao Vale Sagrado. Esses terraços foram criados com o objetivo de cultivar diferentes tipos de alimentos e enfrentar a dificuldade de plantio em um terreno íngreme. Mal conseguimos imaginar o trabalho para realizar tamanha obra séculos atrás.

Apesar do frio e da chuva que ameaçava cair, caminhamos mais, e começamos a descobrir diferentes partes de Pisac. Vimos locais para estocar alimentos, estruturas que pareciam casas nas partes mais altas e ainda um cemitério vertical (encravado na parede da montanha). Nesse cemitério, os mortos eram enterrados em posição fetal, pois para os Incas os seres humanos deviam deixar a vida na Terra da mesma maneira que vieram. Essa era uma homenagem a Pachamama, a grande mãe Terra.

Havia também um observatório astronômico, pois tinham grandes conhecimentos nessa área. Várias de suas construções eram alinhadas a eventos astronômicos como solstícios, pontos de nascimento do sol e da lua.

O que me marcou em Pisac foi a impressão de que aquelas montanhas formavam uma enorme arquibancada. Tive vontade de passar um bom tempo sentado ali, assistindo ao espetáculo da vida e apreciando a linda paisagem. A vista mesclava montanhas enormes, alguns punhados de árvores, casinhas minúsculas e pesadas nuvens cinza às interessantes construções antigas feitas de pedra, barro e madeira. Me dei conta de que as reflexões e ensinamentos que lugares como esse geram, são a maior riqueza que podemos obter ao visitá-los.

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