Ando muito inspirada lendo o livro “A Felicidade da Busca” de Chris Guillebeau – um americano figuraça que antes de completar 35 anos, conheceu todos os países do mundo. Em muitos dos capítulos contando não só suas façanhas para completar o mapa mundi, como histórias de outras pessoas com buscas incríveis, ele fala sobre como planejar nossas ações, projetos e sonhos com foco em sua realização.

(Essa matéria foi postada originalmente no Portal Exame, quem preferir ler por lá, é só clicar aqui!)

Como o ano ainda está começando, achei bacana compartilhar alguns insights que o livro trouxe. O autor é um super empreendedor-realizador e ao longo dos conselhos que escreve, conta que em determinado momento de sua vida começou a nomear cada um dos seus novos anos. Ao atribuir uma potência para seus novos 365 dias, isso o aproximava daquilo que pretendia concretizar.

“Escolho uma palavra ou tema geral para o ano. Os últimos foram apelidados de “o ano do aprendizado” (quando concluí uma pós-graduação), “o ano da convergência” (em que tentei unir uma série de projetos não relacionados) e “o ano da escala e alcance” (quando comecei a fazer mais viagens de divulgação, apresentando ou participando de 70 eventos com leitores de todo o mundo)” – conta o autor, e emenda “Você pode adaptar as observações acima para seus próprios fins. Um bom plano permite uma enorme espontaneidade e margem de manobra, mas sem nenhum plano é difícil trabalhar em alguma coisa significativa a longo prazo. Planejar bem e ser específico com suas intenções é de grande ajuda.” – conta Chris

Achei essa história de nomear o ano super interessante. De fato ajuda a ancorar sonhos e projetos. Lembrei de quando resolvemos dar a Volta ao Mundo. Decidimos em Setembro de um ano que no ano seguinte seria do “ano da grande viagem” –  queríamos realmente viver aquela aventura. Marcamos a data de embarque e parece que só assim o projeto começou a decolar.

Todos nós temos projetos na gaveta: aquele curso bacana de mergulho, o casamento na praia, a transição de carreira, o livro que quer ser escrito, a nova língua pra se aprender, a escalada naquela montanha, o curso de pós-graduação. Muitos dos sonhos e projetos não saem do papel por preguiça, falta de grana, medo ou até porque não nos sentimos merecedores daquela realização.

Para Chris Guillebeau “Você pode levar a vida que quiser, não importa quem seja. Trata-se de desafiar a si mesmo a cada instante, aprender coisas novas e explorar horizontes fora da sua zona de conforto – mesmo que nunca saia de casa. É possível fazer isso, não importa onde viva ou quantos anos tenha.” – e eu concordo. A vida está aí para ser desenhada e vivida. Temos muitas chances de experienciar novos horizontes, e atribuir uma potência a cada ano que chega, pode nos ajudar! E vamos para prática pois sempre inspira…

A paulistana Paula Bars é uma artista de mão cheia: pinta, costura, desenha, cria, corta, cola, faz de tudo um pouco para a marca de acessórios que empreendeu e leva o seu nome. Depois de dar muitas aulas e workshops, abriu uma loja em São Paulo, tempos depois, outra em Monte Verde – cidade que frequenta desde pequena. As idas e vindas entre as duas lojas começaram ficar cansativas até que resolveu mudar de mala e cuia para o sul de Minas.

Para seguir atendendo a clientela de São Paulo e abrir outros mercados, decidiu emplacar um novo projeto: uma loja móvel. E a melhor solução que encontrou foi adaptar uma Kombi – uma paixão antiga.

“Passei mais de um ano curtindo a ideia de ter uma loja móvel. Fiz muita pesquisa” – contou Paula. Buscou infos, estudou e planejou como reformar e transformar o interior do carro. Passo seguinte: colocar seu sonho em prática. Comprou uma Kombi usada e mesmo precisando de uma reforma geral, seguiu adiante! Desenvolveu algumas estampas, adesivou a parte de fora, trocou estofamento, pintou calotas e pára-choque. Deu aquele “tchan”. “Quando saio com ela é sempre um acontecimento, todos ficam olhando, e quando percebem que é uma mulher dirigindo a surpresa é maior ainda.” – conta Paula

“No início me deu um frio na barriga. Meu Deus, eu comprei uma Kombi!!” – ela ri! “Hoje em dia acho ótimo ter dado esse passo. Fico orgulhosa de ter tido a coragem de ir atrás de um sonho.”

E aconselha: “Na vida é preciso coragem. Coragem pra largar um emprego, mudar de vida, é preciso coragem para se permitir. Quando você busca realizar um sonho, o primeiro passo é tirar do papel.”

Depois da sua “Kombiterapia”, hoje Paula está feliz! Dirige sua loja móvel e seus novos projetos. (Confira as fotos no final do post)

E você?! Não está conseguindo tempo para colocar as mãos na sua “Kombi”? Para aqueles que colocam o tempo como o grande rival dos sonhos e projetos, volto a mais uma das passagens do livro: “Você é ocupado?! Bem vindo ao clube. Todo mundo está ocupado, mas todos temos a mesma quantidade de tempo. Se você quer priorizar a sua busca mas não encontra tempo, tem que abrir mão de algo.”

Ao dar a Volta ao Mundo abrimos mão de emprego, clientes, a segurança do lar, a convivência com amigos, etc. Paula Bars abriu mão da loja de São Paulo e da vida na cidade grande. Para conhecer todos os países do mundo, imagine quantas coisas Chris Guillebeau também teve que abrir mão. Isso faz parte da jornada de cada um. Por menor que seja, todo novo movimento nos faz abrir mão de algo, mas posso afirmar que os aprendizados compensam!

E para ajudar você na ancoragem daquilo que busca, compartilho um exercício simples que encontrei no livro. Chris chama essas buscas de missões e propõe uma reflexão interessante:

Qual é sua missão (busca/sonho/projeto)?!
Qual o tempo para a realização?!
Qual o custo?!
Quais os obstáculos para a conclusão da missão e como contornar?! – a lista aqui depende de cada um.

Usando como exemplo a nossa Volta ao Mundo:
-Qual era nossa missão?! Conhecer 16 países nos 5 continentes perguntando para pessoas de várias raças, credos e cores: “o que te motiva?”
-Qual o tempo?! – de 6 à 8 meses
-Custo?! – 60 mil reais

-Obstáculo 1
– vistos
Como contornar: pesquisar como é a regra de entrada em cada um dos países pretendidos e tentar tirar todos os vistos possíveis antes de sair do Brasil.

-Obstáculo 2
– valor das passagens
Como contornar: comprar um ticket Volta ao Mundo, o que possibilita uma economia de muitos dólares com os voos.

-Obstáculo 3
– comunicação ao longo da jornada
Como contornar: dar um belo tapa no inglês e resgatar o espanhol fazendo aulas particulares antes da partida.

Mas como o próprio Chris disse que para todo o planejamento vale uma boa “margem de manobra”, a viagem durou mais de 2 anos, passamos por 28 países, conversamos com muita gente e o projeto acabou virando um estilo de vida. Mas tudo, TEVE que começar com uma intenção, à qual foi agregada coragem e ação. Como no caso da Paula, no nosso e de tantos outros projetos..

Caso você queira tirar algo do papel esse ano, vale muito a pena completar o exercício acima, ele pode servir como um guia valioso.

Depois de tantos insights, já deu pra pensar qual o ano que quer pra você? Que nome ele teria? O que quer fazer de diferente? Pode ser uma Volta ao Mundo, ter uma loja móvel, conhecer todo o mapa mundi antes dos 35, tanto faz…

O tom que você vai dar ao ano, a energia e o foco nas coisas que realmente importam é o que vai fazer tudo acontecer. Se entregue, afinal, “A vida é muito curta para ser pequena.” | Benjamin Disraeli.

Por Luah Galvão

(Agradecimento especial ao André Camargo que me indicou o livro e é um grande pretendente à Kombiterapia)

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