Não foram muitos os brasileiros que encontramos no Caminho, mas todos eles fizeram valer os encontros. As histórias, uma mais interessante que a outra, marcaram nossa memória e nossos corações.

Certo dia cruzamos um figura que andava em ritmo acentuado, o calor estava de rachar. Eu e o Dan suados da cabeça aos pés e Getúlio também. É sobre esse mineiro figuraça nossa próxima história.

Getúlio avançava em um trecho montanhoso, estava um pouco à nossa frente. Em um momento que parou pra tomar água o alcançamos. Percebeu que éramos brasileiros e logo puxou papo. Simpático, boa prosa, gente fina. Seguimos caminhando juntos naquele dia…

Depois de um tempo percebi uma tatuagem muito bacana da concha e da cruz templária – símbolos do Caminho, em sua perna. “Que legal sua tattoo!! Você já tinha feito o Caminho antes?!” – perguntei.

“Não, essa é minha primeira vez por aqui! Essa tatuagem completa agora 14 anos. Era pra eu ter feito o Caminho naquela época e estava tão empolgado com a viagem que fiz a tatuagem antes mesmo de embarcar. Mas a viagem acabou não acontecendo.” – respondeu

E foi aí que a história de vida de Getúlio começou. Em 2000 estava tudo certo para que ele viesse para o Caminho: preparativos, passagens, planos de viagem, tudo pronto para o grande sonho!! Um mês antes do embarque, sua esposa descobriu um câncer e iniciou um tratamento intensivo. Getúlio cancelou a trip e acompanhou sua esposa em uma longa jornada que só terminou dois anos depois com o falecimento de Heloísa. Heloísa Guimarães era o nome de sua esposa. A tristeza tomou conta do mineiro e anos se passaram até que recuperasse e conseguisse abrir seu coração novamente.

Faz 8 anos casou-se pela segunda vez e por sincronicidade do destino, sua atual esposa se chama Heloísa Guimarães. Inacreditável: exatamente o mesmo nome e sobrenome da primeira esposa. Coisas do destino!! E foi essa Heloísa que bolou toda a ida do marido para realizar o antigo sonho de peregrinar até Santiago… e sem que ele soubesse. Ela comprou as passagens, bloqueou a agenda do marido, resolveu tudo e o impulsionou finalmente para o Caminho. E lá estava ele: firme e forte, emocionado, grato e FELIZ. Mais que feliz: fez amigos, cativou gente e ao longo do trajeto decidiu escrever um livro sobre a experiência. Getúlio é empresário e está terminando de fazer um relato sobre as lições do Caminho em paralelo com a vida empresarial.

A experiência na Espanha foi tão boa que está prestes a ir novamente, dessa vez como hospitaleiro de um dos albergues. Getúlio está felicíssimo mais uma vez.

Agora, a maior de todas as sintonias, coisas que só o Caminho faz… estava eu separando os rascunhos do bate-papo que tivemos para escrever essa matéria e no mesmo dia recebo uma mensagem de Getúlio perguntando como estávamos, como tinha sido o final da nossa jornada, etc… Detalhe: não nos falávamos desde nosso último encontro, ainda em terras espanholas, e ele me aparece bem no mesmo dia em que eu começo à escrever sobre sua história… como assim?!

Só o Caminho responde…
Ultreya!!

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