O número de pessoas percorrendo os últimos quilômetros do Caminho é enorme. Como já comentamos, para conseguir a Compostela (documento que comprova a peregrinação) é preciso que o peregrino caminhe apenas os 100 últimos quilômetros. Essa parte, já na Galícia, é repleta de árvores, sombras e lindas paisagens com verde abundante, bem diferente de outros trechos bastante longos, secos e planos da temível “Meseta” em Castilla y León.

Os últimos dias da nossa jornada foram na segunda quinzena de julho – férias na Europa, por isso caminhamos em meio a muitos “turigrinos” (pessoas que estão no Caminho mais para fazer turismo do que peregrinar) e inúmeros jovens que aproveitam esse período para estar em contato com a natureza, vivendo um pouco de aventura.

Mas não é só o número de pessoas que aumenta, essa combinação de fatores infelizmente contribui para um aumento considerável na quantidade de lixo nas trilhas, estradas e até dentro das cidades. Nossa indignação e tristeza foram crescendo a cada passo da “reta final”… vimos desde calçados, acessórios e as mais variadas embalagens. Papel higiênico usado então, coloria de branco muitos trechos do Caminho. Tudo bem que às vezes temos que “esvaziar” por falta de banheiro, mas não dá pra entender porque as pessoas não levam os papéis usados em saquinhos ao invés de largar no meio da natureza.

A Luah, revoltada com a situação, começou a caminhar com sacolas plásticas que em poucas horas se enchiam de garrafinhas, latas, embalagens de biscoito, salgadinho, etc… Assim que encontrava alguma lixeira esvaziava a sacola e continuava dedicada à limpeza do Caminho. Fomos tão presenteados com belas paisagens, histórias, pessoas e situações positivamente impactantes que tínhamos que fazer algo. Ela chegou a comentar comigo sobre a ideia de um projeto de conscientização para estimular a limpeza do Caminho, incluindo distribuir sacolinhas e incentivar as pessoas a não jogar mais lixo. Adorei a ideia e brinquei que essa iniciativa poderia se chamar “PereGREEN”… rsrsrs

No final do primeiro dia do “caminhar e limpar” chegamos ao Albergue Casa Banderas em Vilachá. Gordon, o dono do local, nos recebeu super bem e a nossa “PereGREEN” aproveitou para perguntar onde poderia descarregar o lixo que recolhera no Caminho. Comentamos sobre nossa iniciativa, de repente ele começou a rir e nos chamou para ver algo. Apontou para uma pilha de sacolinhas verdes, feitas especialmente para distribuir em todo o Caminho com o intuito de inspirar cada peregrino à se tornar um agente de limpeza. Ele mandou fazer 10 mil para serem distribuídas.

Gordon, um ex-executivo bem sucedido da África do Sul, fez o Caminho em 2005. A Jornada mudou totalmente seu ponto de vista em relação ao mundo. Ao voltar pra casa pediu demissão e resolveu antecipar sua aposentadoria para viver outro estilo de vida. Em 2006 comprou uma propriedade caindo aos pedaços e passou 6 verões reformando o que seria o Albergue Casa Banderas, onde passa parte do ano. No inverno da Europa parte para África do Sul para visitar amigos e família.

A magia do Caminho é tão poderosa, que no dia em que a Luah tomou uma atitude para melhorar o ambiente ao seu redor, ela encontrou com a pessoa responsável por essa ação porém em grande escala. Para nós foi uma clara mensagem de que atraímos aquilo que buscamos e manifestamos. A magia do Caminho recria a magia da vida. E aqui fica nossa mensagem para que os próximos ao passar pelo Caminho também sejam “PereGREENS”!!

Ultreya!

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