PELAS RUAS DO RIO… Um amigo que conhecia outro que apresentou outro que conhecia outro…

Foi assim que fomos parar no simpatissíssimo Curto Café. Sabe aquelas redes virtuosas da vida?! Então, estávamos no Rio junto com o amigo Caio Dib, com quem daríamos um workshop. Aproveitamos a temporada carioca para conhecer projetos inovadores na área de educação – objeto de estudo do Caio. Pra nossa sorte ele havia mapeado pessoas interessantes para conhecermos e nesse tour fomos parar no Curto Café – um espaço que ultrapassa o simples conceito de tomar um cafezinho.

O que de cara nos chamou atenção é que não existe preço fixo para o café, quem decide o valor a ser pago é próprio cliente. Na lousa ao lado do caixa, ao invés de uma tabela de preços, está um descritivo com os custos para manutenção do espaço e o valor já arrecadado no mês. Cabe a cada um que passa por lá decidir o quanto deve pagar levando em conta o atendimento e a qualidade do produto. E se não puder pagar naquele dia não paga…

Falando em qualidade taí mais uma diferença, a equipe do Curto escolhe à dedo seus fornecedores. São pequenos produtores que cultivam grãos de altíssima qualidade e que através da parceria podem divulgar seu produto. Olha que legal, se o cliente quiser comprar um pacote dos grãos ou do café moído, eles estão à venda exatamente pelo mesmo valor que sai do produtor. O Curto Café não quer lucrar com essa venda, a ideia é repassar para os fornecedores exatamente o que o produto vale, sem o tradicional arrocho que todo mercado faz. Em retribuição a esse movimento de confiança e generosidade muita coisa bacana acontece. Assim que inauguraram, alguns clientes gostaram tanto da iniciativa que resolveram contribuir doando coisas. Foram cadeiras, poltronas, mesinhas, plantas e outros objetos que marcaram a construção coletiva do espaço que hoje é usado para reuniões, saraus, eventos, etc…

Nos contaram também que em um dia agitado a equipe não estava conseguindo dar conta do movimento, uma cliente não pensou duas vezes, pegou uma vassoura, um pano e começou a ajudar na organização e limpeza. “Todo mundo se sente um pouco dono do lugar. Nossa filosofia gerou um sentimento de empoderamento do espaço.”

E foi isso mesmo que sentimos em nossa passagem por lá. Parece que todos que lá trabalhavam tinham um sentimento real de pertencimento, não era um “vestir de camisa” protocolar e sim genuíno. Equipe e clientes torcem pelo Curto, querem ver o lugar prosperar e servir de exemplo para mais e mais lugares e negócios.

E quando parece que eles estão na contramão do mundo, sinto que essa é uma experiência de vanguarda, pois eles tiveram a coragem de propor a confiança como base das relações, gerando assim um sentimento de pertencimento em todos que fazem parte do elo.

Gostamos demais!! E o cafezinho hummm, é delicioso…

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