Walk and Talk | O que te motiva?

Um pedaço do México, cultura forte e generosidade!

A nossa passagem pelo México foi muito interessante, sem dúvidas tivemos uma rica experiência nesse enorme país. Algumas coisas são muito curiosas por lá, a maneira com que falam, as danças e roupas típicas, o bom humor dos mexicanos e uma musicalidade que eu mesmo desconhecia. Por onde se passa sempre tem música tocando, em quase todas as lojas e casas de comércio eles colocam as caixas de som na porta e mandam ver; a música é uma das grandes motivações dos mexicanos.

Tanto é que quando estivemos em Mérida, capital do estado de Yucatán uma das principais atrações da cidade é o grupo de dança municipal, eles se apresentam pelo menos 2 vezes por semana, todas as semanas durante o ano inteiro. As apresentacões acontecem na praça principal ou em algum outro bairro, não só os turistas participam mas principalmente os locais e com muito gosto, assistindo e dançando. É um belo espetáculo, sem dúvida num local pitoresco pois ao fundo encontra-se o belo prédio da prefeitura sem contar que todo o entorno da praça é rodeado de casarões antigos e outras construções, afinal todo o centro da cidade é histórico e tombado como patrimônio nacional.

À uma distância que pode ser percorrida à pé existe outra grande praça onde todas as terças-feiras a orquestra municipal se apresenta convidando a todos também gratuitamente a dançar, nessa noite é a terceira idade que faz a festa, saem todos arrumados e cheirosos pra um dos dias de mais animação da semana.

Foi difícil sair de Mérida e seguir viagem, nos sentimos muito bem nessa cidade, nos motivou ver iniciativas públicas que geram lazer e possibilitam um convívio social muito saudável.

A família é uma entidade muito forte na vida dos mexicanos, falamos isso pois foi o país que obtivemos o maior número de respostas que mencionavam filhos e família como principal motivação. Os adultos citaram os estudos e a formação de seus filhos como prioridade absoluta e um grande sonho.

Ao sair de Mérida fomos para um local chamado Becal, cidade minúscula porém muito conhecida por produzir chapéus de um tipo de palha chamado jipi. Não falo aqui dos enormes sombreiros industrializados, falo de um trabalho manual meticuloso, um desafio à paciência e perfeição, uma verdadeira arte. Você tem idéia de como eles produzem esses chapéus? Qual é a técnica? Eles tem que montá-los dentro de cavernas, pois é somente em um local fresco e úmido que a palha não se rompe e pode ser entrelaçada. Um só chapéu pode ser trabalho de até 3 meses de esforço diário dentro da caverna, ele fica tão bem feito que depois de pronto pode ser dobrado e amassado que volta a forma original no mesmo instante. Conversamos com alguns dos poucos e talentosos artesãos que ainda dedicam sua vida à isso, lamentaram que as novas gerações não mostram interesse em aprender a técnica que é tradicional da região e acreditam que um dia isso vai morrer. A beleza do trabalho é indescritível em palavras, é na palma das mãos que temos a noção do imenso trabalho para confeccioná-los. Detalhe, as cavernas não são naturais, foram feitas pelo homem justamente para esse fim.

Foi ao descermos do ônibus na chegada à cidade que conhecemos Juan, um morador local, professor e fotógrafo, vinha de um trabalho quando o encontramos e começamos a conversar, ele se dispôs a nos acompanhar numa volta pela cidade e quando vimos já tínhamos passado o dia inteiro perambulando por todas as partes conhecendo seus amigos, familiares e nos mostrando todos os segredos da cidade. Foi ele que nos levou às cavernas, que ficam dentro das casas dos moradores, se não fosse ele certamente não as teríamos visto. Como se não bastasse nos convidou para sua casa e apresentou filho por filho e também sua gentil esposa. Prepararam uma salada de frutas inesquecível, que foi o prato perfeito para o calor que fazia. Nos deliciamos, matando fome e sede ao mesmo tempo enquanto conversávamos sobre a educação no país, suas motivações pessoais e de sua família e também sobre a vida. A generosidade desse homem não teve tamanho, doou todo o seu dia para nós, compartiu seu conhecimento e serviu o que tinha para poder nos agradar, se sentiu feliz fazendo isso. Até nos comprou uns pãezinhos doce típicos para levarmos.

Juan deu aula de generosidade, humildade e tolerância, aula que nunca esqueceremos, aula pela qual sempre seremos gratos. Esse também pode ser um pouco do espírito do México, um pouco do espírito do Mundo, onde muitas pessoas ainda conservam sua integridade, não vestem máscaras e se entregam sem querer nada em troca, simplesmente porque é assim que elas são. Pra mim são corajosos pois assumem quem realmente são, não se preocupam em em parecer, se preocupam apenas em ser.

Texto e Fotos Dan España

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