Walk and Talk | O que te motiva?

Texto da Luah na Revista Samadhi

Samadhi Walk and Talk

Amigos da Samadhi é um prazer estar aqui com vocês pra compartilhar um pouco da experiência que tivemos em mais de 2 anos viajando os 5 continentes para tentar descobrir o que motiva pessoas das mais variadas raças, culturas e cores. Bacana comentar já no início da nossa prosa que saímos do Brasil para encontrarmos o que move o “outro”, e acabamos fazendo uma viagem ao encontro de nós mesmos. Ficar muito tempo longe de casa tem dessas, a gente embarca para o desconhecido e é justamente ele que nos aproxima do nosso EU verdadeiro.

Na época anterior a viagem eu estava com o copo lotado, me sentia perdendo a excelência em meu trabalho. Sempre fui uma entusiasta, pessoa com olhos vibrantes mas naquela época estava saturada, buscava o brilho do meu olhar e não encontrava. Quem já passou por isso sabe o quanto é duro. O Danilo, meu companheiro queria se desenvolver na arte da fotografia, mas nunca tinha tempo. Pois é, o tempo… talvez o grande tesouro perdido daqueles que como nós, vivem em grandes centros. Ele trabalhava na aviação em horários alucinantes e não conseguia se dedicar a esse hobby que no fundo ele sabia, poderia virar área central de seu trabalho.

Não que nossa vida estivesse ruim, longe disso, mas em ambos existia um vazio que precisava ser preenchido. Queríamos passar por uma experiência que mudasse nosso ponto de vista; nosso olhar em relação ao mundo. Decidimos abrir mão de nossas previsibilidades e da famosa zona de conforto para pisar em ovos em busca de despertar nossos sentidos para o novo. O projeto Walk and Talk foi mais do que um projeto ou uma viagem, foi o estopim de uma grande mudança de começou devagar e com o passar do tempo estabeleceu novas realidades para nossas vidas. Brincamos que a cada passo que demos “pra fora” 3 foram dados “pra dentro”.

Foi muito interessante perguntar pra tanta gente ao redor do planeta “o que te motiva” e constatar que salvo uma única vez na Tailândia, não ouvimos que o dinheiro ou os bens materiais fossem a maior fonte de motivação. Em contrapartida, escutamos muitas vezes que “ser melhor amanhã do que hoje” era o que mais movia muitos dos entrevistados. Depois de muitas e muitas entrevistas e longos bate-papos sentimos que paradigmas vem sendo quebrados e a busca pelo desenvolvimento humano e pela espiritualidade aparecem com grande tônica, saindo das pequenas rodas e se expandindo aos 4 cantos.

Na Ásia e na América Central vivemos experiências riquíssimas e percebemos o quanto nesses lugares a espiritualidade e o sentido de conexão com o todo estão super vívidas. Nos países budistas também ficamos de queixo caído. Eles de fato exalam equilíbrio e harmonia. Só de lembrar já deu saudade…

As pessoas vem mudando seus conceitos e preconceitos. O mundo está se estreitando à passos largos. Ao mesmo tempo em que muitas tradições milenares em pouco tempo irão virar produtos dos museus e a calça jeans será – se já não é,  a vestimenta mais usada no planeta, sentimos que essa  “planificação” vem trazendo um sentido maior de união e de corresponsabilidade. A nova geração está com suas mochilas nas costas viajando mais do que nunca e se conectando mais do que nunca. Vimos exemplos lindos de gente muito jovem com um engajamento viril em diversas causas sociais espalhadas pelo globo. Parece que essa “quebra” de fronteiras vai gerando um sentimento colateral trazendo a dor do outro, a fome do outro, a fraqueza do outro pra dentro de todos. Parece que a “guerra” de uns também faz sangrar aqueles fora dela.

Tivemos a sorte de conhecer de perto diversas culturas ancestrais e percebemos que existe um denominador comum entre muitas tradições apontando para um momento de “despertar” do nosso planeta. Acreditamos estar justamente numa espécie de sobreposição de mundos. O antigo ainda resistindo, assistindo bravio o início de uma nova e distinta fase. Se as previsões estiverem corretas, estaremos rumando para um novo grande ciclo, como bem colocam os Maias, e nessa nova etapa a individualidade vai ceder lugar para o coletivo, colaborativo, cooperativo. A sustentabilidade vai superar o abandono da Grande Mãe e o desenvolvimento humano, espiritual e a transcendência serão a tônica contra os egos que já imperaram por tempo demais.

Nossa viagem-pelo-mundo-e-para-dentro nos proporcionou um tempo criador de um ócio saudável e revelador. Ver o mundo de uma só vez traz uma dimensão diferente de muitas viagens de férias em anos distintos, revela um panorama global do aqui-agora. Essa radiografia nos traduziu uma confiança nos tempos que estão por vir, uma certeza de que a corrente da transformação pode sim vencer os séculos e mais séculos de cegueira humana. Voltamos cheios de esperança e na torcida para que a virada de consciência não seja apenas um brinde para nossos bisnetos e sim uma celebração virtuosa onde todos teremos nossas taças erguidas nas mãos.

Por Luah Galvão

Revista Samadhi

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