Walk and Talk | O que te motiva?

Talento ao pé do ouvido

Enquanto estávamos em Malaca, uma cidade muito interessante da Malásia, assistimos à uma verdadeira demonstração de determinação e coragem. Estavamos almoçando quando uma senhora de uns 60 e poucos anos começa a instalar no meio da rua um teclado e caixas de som, em seguida entra em sua casa e volta trazendo sua neta para tocar. Aletha Loh de 21 anos vem apoiada nos braços da avó e desce as escadas da casa com dificuldade. Senta-se em frente ao teclado e assim que toca as primeiras notas começa a sorrir feliz … muito feliz, nos aproximamos e percebemos que ela era cega!

Passamos um bom tempo boquiabertos escutando as mais variadas melodias que seus dedos ágeis tocavam. Em sua frente uma caixa ia enchendo de doações feitas pelos turistas e cidadãos de Malaca. Quanto mais tocava mais podíamos notar seu entusiamo e paixão pelo que fazia tanto que decidimos chamar sua avó para saber a história da garota. A primeira coisa que ela fez foi nos dar um cartão de Aletha que junto com seus contatos dizia “I play music not because I’m happy, I’m happy because I play music” (Eu toco não porque sou feliz, sou feliz porque toco música) e começou a nos contar: a menina havia nascido cega preocupando muito sua família pois todos temiam pelo seu futuro. Mas Aletha não só conseguiu frequentar a escola como revelou muito cedo seu amor pela música, tentando reproduzir diversos sons que ouvia. A família resolveu apoiá-la e munida de um teclado começou a tirar de “ouvido” diversas melodias. Desenvolveu sozinha sua maneira de relacionar acordes e tocar … “ponto” para sua família que transformou sua preocupação em ação e investiu da maneira mais legítima na felicidade de Aletha.
Aos poucos as pessoas foram sabendo de seu talento e ela passou a tocar para pequenas platéias. Virou matéria de alguns jornalistas ficando conhecida e respeitada em sua cidade onde é hoje um grande exemplo de superação.

Toca de sexta à domingo nas ruas de Malaca aproximadamente durante 3 horas ininterruptas e com isso consegue viver, nos demais dias aceita convites ocasionais. Quando a conhecemos estava indo para Pequim respondendo à um desses convites. Conseguimos falar com Aletha em uma pequena pausa que fez e ela nos confirmou que a música é de fato sua maior motivação!

Ultrapassar limites não é uma prática tão simples e para alguns como Aletha, requer um esforço ainda maior. De qualquer modo acho que quando temos um objetivo claro, um grande sonho ou um talento proeminente louco para despertar até as maiores mazelas podem ser ferramentas que nos ajudam chegar onde pretendemos. São exemplos como esse que quando cruzam nosso caminho precisam de um pouco do nosso tempo para que possam nos tocar e ensinar.

Por Luah Galvão/Fotos Danilo España

PS: Essa é Juliet, avó de Aletha, uma pessoa com um coração enorme. Ela acredita que o amor é a maior base para o desenvolvimento humano.

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