Walk and Talk | O que te motiva?

Quebrando o gelo à moda da Caipirinha!

Guatemala…

Já estávamos viajando há mais de 1 ano e meio. Precisávamos descansar. Fomos acumulando pautas, histórias, emails, mensagens… TUDO. Precisávamos dar uma pausa no walking talkear pra organizar nossas tarefas e tomar um fôlego antes de seguir viagem.

No caminho entre a Cidade da Guatemala e Tikal – o mais famoso complexo Maia do país, encontramos um lugar perfeito: Tortugal, uma pousada silenciosa no meio da mata de Río Dulce.

Tortugal Rio Dulce Guatemala Walk and Talk

Queríamos ficar pelo menos uma semanninha sem fazer e desfazer as malas, sem grandes planejamentos e de preferência em contato com a natureza. Bom, Tortugal tinha tudo que precisávamos: um lugar meio-pousada-meio-marina, com acesso de barquinho, um rio delícia para nadar bem em frente. (falamos mais sobre a região em outra matéria)

Tortugal Rio Dulce Guatemala Walk and Talk 2

Descemos do ônibus no meio da estrada, que aliás corta o centrinho de Río Dulce, e lá fomos nós em busca do barqueiro que iria nos levar para o nosso novo canto. A calmaria logo invadiu nosso corpo e mente. Que demais, tivemos aquela sensação de pausa… de férias do projeto!

Surpresa ao chegar: o lugar era muito mais interessante do que as imagens da web mostravam. Fomos recebidos por Esther Vida, uma australiana gente finíssima, produtora cultural do Ópera House de Sydney.

Tortugal Rio Dulce Guatemala Walk and Talk 7

Esther Vida e nossas mochilas prontas para uma nova aventura

Há 3 meses Esther estava criando e desenvolvendo projetos culturais na Tortugal por casa, sombra, água fresca e algum montante financeiro – item que menos a incomodava dentro do “kit-sobrevivência”. Depois de conhecer o México e o norte da Guatemala numa viagem que seria apenas de férias, chegou com seu grupo na Tortugal onde se hospedaria por apenas 2 dias e decidiu ficar por lá de mala e cuia. Disse que encontrou ali uma paz e harmonia que queria vivenciar, deu adeus ao grupo e fechou um acordo de trabalho com o americano Mike, dono da pousada.
Esther nos recebeu como uma verdadeira anfitriã nos mostrando “seu” pedaço de paraíso. Em três tempos estávamos igualmente apaixonados pelo lugar. Realmente era tudo que queríamos para descansar. Escolhemos um quarto delicioso que mais parecia cenário de um filme. Nosso quarto-cabana ficava no meio da mata, com uma varanda rodeada por um verde abundante. Estávamos no paraíso e o que é melhor, num país cuja moeda é tão fraca que tudo, tudo mesmo cabe no bolso.

Mais tarde fomos comer algo no restaurante da pousada e uma roda enorme estava formada. Velejadores de todos os cantos do planeta estavam entrosados num bate-papo super animado. Río Dulce é um local bastante conhecido e usado para ancorar embarcações à espera da época de furacões do Caribe passar. Como estávamos no pico dessa época, as marinas da cidade estavam lotadas. O grupo, em sua grande maioria, era composto por casais de aposentados, todos de uma faixa etária acima da nossa. Tentamos socializar. Nada… eles estavam tão entrosados que não deram bola pra nós. Comemos.

Eu e o Dan nos entreolhamos. Mesmo anseando por “férias”, ali estava um grupo excelente para nossas entrevistas. Tínhamos uma amostragem bastante diversa com gente de todos os cantos do planeta e com, provavelmente, histórias super interessantes para contar de suas vidas à bordo.
Nos 2 dias que se seguiram tentamos mais algumas vezes furar o bloqueio do grupinho entrosado de velejadores. Tínhamos que quebrar nossas “férias” em busca das histórias daqueles homens e mulheres do mar. Mas como?! A sensação é que para eles nós não existíamos!
Tínhamos que encontrar uma estratégia. Nosso descanso programado já tinha se transformado numa saga em busca de saber o que motivava cada uma daquelas figuras.

Tortugal Rio Dulce Guatemala Walk and Talk 1

Pensamos, pensamos. Queríamos encontrar algo que pudesse quebrar o gelo, gerando empatia entre nós. De repente: “É isso! Claro!”. Decidimos usar um delicioso ícone brasileiro para intermediar nossa “relação”: a caipirinha.

Resolvemos montar um workshop de caipirinhas!! Fomos direto na Esther que facilmente abraçou a nossa idéia. Passamos os 3 próximos dias programando nossa ação. Montamos um PPT com a história da caipirinha no Brasil, pedimos para o DJ Uncle Helmer – amigo e parceiro, que nos enviasse uma seleção de músicas brasileiras, fomos às compras na cidade em busca de frutas variadas, bebida, etc…
Decidimos acrescentar ao PPT uma viagem fotográfica pelo Brasil através dos principais pontos turísticos da nossa terra natal. Esther divulgou o que foi chamado de “Noite Brasileira” em todas as marinas ao redor da nossa. Tudo estava pronto para o “grande dia”. Criamos um balcão no restaurante para ensinar os convidados a confeccionarem o famoso drink brasileiro. Chegou o momento.

Caipirinha Luah Galvao Guatemala

Ao som da boa música brasileira os convidados começaram a chegar, empolgados em participar de um workshop de caipirinhas. Parênteses: todos acham que só fazemos o drink com limão, então, quando apresentamos as caipifrutas com as infinitas combinações de sabores, a empolgação tomou conta do pedaço. À cada novo “modelo” de capirinha, maiores eram os sorrisos e o entrosamento. Até caipirinha dentro do abacaxi fizemos… foi a sensação da noite. Nós, até um dia antes ilhados do grupo, minuto a minuto fomos fazendo parte daquela roda do “mar”.

Missão cumprida!! No dia seguinte já estávamos sendo chamados de “filhos” e convidados para conhecer muitas das embarcações, com direito à aperitivo, bebidas, papo e respostas sobre “O que os Motivava”. Nossas férias em Río Dulce se transformaram em deliciosos dias de integração. Estendemos nossa estadia por mais alguns dias e assim tivemos tempo para escutar as histórias de cada um daqueles homens e mulheres guiados pelo vento e pelas águas.

Aprendemos que a empatia nem sempre é gerada de imediato, mas pode ser batalhada com vontade e dedicação. Pessoas não são impenetráveis por mais que assim pareçam. Muitas vezes estão à espera de algo que as surpreenda, que as tire do senso comum. Existem diversas formas de quebrar o gelo entre grupos de línguas diferentes, religiões e tradições distintas. Usar a criatividade e formas inusitadas de ligação e conexão podem ser belas ferramentas para abrir alas. Através do workshop de caipirinhas, conseguimos ligar pessoas dos mais diferentes cantos do mundo e criar as bases para a construção de um novo círculo; um círculo virtuoso.

Tortugal Rio Dulce Guatemala Walk and Talk 6

Final de festa – agradecimento à equipe da Tortugal que nos deu um super apoio na noite das caipirinhas

Por Luah Galvão | Fotos Dan España

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