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Guatemala do nosso coração | Dicas de viajante 2: Tikal, Flores, El Remate e Livingston

Sítio arqueológico de Tikal, Guatemala

Sítio arqueológico de Tikal, Guatemala

A Guatemala foi uma caixinha de surpresas pra nós, escrevi isso na matéria anterior onde contamos nossas impressões iniciais sobre o país e mapeamos a primeira parte das regiões. Engraçado, antes de pisarmos lá, li no Lonely Planet que esse era um lugar com algo peculiar … o texto afirmava que a maior parte dos viajantes que conheciam a Guatemala mais a fundo acabavam repetindo sua aventura outras vezes pois de algum modo singular sentiam-se encantados e envolvidos pelo lugar. Depois de um bom tempo circulando por lá entendi exatamente porque o autor tinha feito esse comentário e acreditem se quiser, durante o projeto Walk and Talk voltamos 2 vezes pra lá. Também fomos envolvidos pelo mesmo entusiasmo de outros viajantes! Conhecemos pessoas interessantes durante toda a nossa estadia no país e acabamos ficando bastante tempo em cada um dos destinos. Foi impossível não degustar com calma.

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O turismo backpacker é sem dúvida o mais comum e frequente por lá, até porque definitivamente a Guatemala não é o lugar mais fácil de se viajar. São os mais aventureiros que dominam as viagens e peregrinagens pelo país. Vale avisar que as estradas estão longe de serem boas, uma realidade diferente do seu vizinho México que nesse quesito está muito mais preparado. De qualquer modo, algumas dificuldades acabam selecionando bem o turista que por lá viaja e protege as maravilhas escondidas nessa terra mágica do turismo massivo.
Aos interessados no destino bacana dar uma olhada na matéria anterior pois conta com informações complementares e outras regiões. Dessa vez estão em pauta: Tikal, Flores, El Remate e Livingston …

Sítio arqueológico de Tikal, Guatemala

Sítio arqueológico de Tikal, Guatemala

Tikal – O maior sítio Maia da Guatemala, a parada é obrigatória. Visitamos muitos outros centros arqueológicos no México, mas nada com a configuração de Tikal. Uma coisa que nos chamou muito atenção foi que mesmo depois dos inúmeros trabalhos feitos por arqueólogos e pesquisadores, Tikal ainda preserva muito da sua mata nativa e da arquitetura original de seus templos e edifícios principais. A Guatemala tem preservada até os dias de hoje muito da cultura Maia, e isso faz diferença ao desfrutar uma obra tão impactante como esse conjunto existente em Tikal. A mata é densa e preserva frutos e plantas importantes, conhecidos por suas propriedades vitamínicas e de cura. Vale a pena um esforço extra para ver o sol nascer alinhado com as incríveis pirâmides, dando vida às teorias do povo Maia que envolvem arquitetura, espiritualidade e um conhecimento profundo da astronomia. Não é raro encontrar grupos fazendo cerimônias ou ritos importantes no local, assim como gente buscando uma conexão espiritual com o legado deixado pela antiga civilização. Escrevemos algumas matérias relatando um pouco da nossa experiência no solstício de inverno de 2012 (21 de dezembro), conhecido como 13. Baktun.

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Aconselhamos aos interessados em conhecer essa maravilha que além da leitura prévia de guias especializados, busquem na entrada do local a ajuda de um guia certificado que vai auxiliar na visita e explicar fatos e parte da história impossíveis de descobrir sem esses profissionais. Vale a pena reservar o dia todo pois o lugar é enorme. Dentro de Tikal não existe lanchonete ou restaurante, apenas fora da área preservada. O máximo que se pode encontrar dentro do complexo são algumas bebidas e com muita sorte uma bolacha ou salgadinho, então o bacana é ir preparado com algum lanche a tira-colo. Ir sozinho não é aconselhável pois além do tamanho do local e da selva ao redor, as indicações são muito ruins. A moeda da Guatemala é tão fraca que não vale a pena pensar 2 vezes em contratar um guia local. Para conhecer Tikal é possível se hospedar em algum dos poucos lugares na área do próprio parque ou mais interessante que isso é ficar em Flores ou El Remate e contratar um transporte para ir ao local ou até uma excursão de 1 dia em alguma das agências habilitadas.

Ilha de Flores, Guatemala

Ilha de Flores, Guatemala

Flores – Última cidade Maia a ser invadida pelos espanhois, a região era ocupada pelo clã Itzá, por essa razão o grande lago que circunda a ilhota de Flores é chamado Petén Itzá. Esse lago tem vários km de extensão e liga diversos vilarejos e cidadezinhas. Flores virou um pequeno reduto de turistas interessados em desvendar os mistérios das ruinas maias de Tikal. Apesar de miníscula, a ilhota tem um enorme contingente de pousadas e restaurantes e uma vida noturna gostosa que fervilha nos períodos de alta temporada. A gastronomia é de tirar o chapéu, ainda mais quando percebemos o quão longe Flores está da capital da Guatemala e de todo o mundo. A parte continental da região se chama Santa Elena, cidade maior que abastece Flores e acomoda o aeroporto internacional – Mundo Maia International Airport. O que une as duas cidades é uma pequena ponte sobre o lago, altamente transitada por tuk tuk’s e motos. Como a ilha é pequena não importa percorrê-la da direita para esquerda ou vice-versa, em menos de 15 minutos a volta completa foi dada. Mas o interessante é fazer essa travessia com calma, olhando cada um dos seus cantinhos, sem deixar também de explorar o seu interior que esconde muitas lojas de artesanato típico, cafés e restaurantes deliciosos e uma gente amável sempre disposta a atender bem. Uma coisa que ficou bem nítida pra nós: em Flores todos tem um sorriso estampado no rosto, gostam de expressar as boas vindas ao lugar e bater um bom papo.

Ilha de Flores, Guatemala

Ilha de Flores, Guatemala

images-14Onde ficar: a ilha é tão pequena que a melhor idéia é chegar e escolher a hospedagem na chegada , rodando um pouco por lá é possível achar preços bacanas e barganhar a estadia. Quase nenhuma das acomodações está nos sites de viagens.

Onde Comer: sem dúvida recomendamos a Villa del Chef que pertence a um alemão, Oliver, super dedicado e atencioso. A comida além de deliciosa é limpa, fresca e o lugar tem uma vista linda para o por do sol. Parte da verba gasta por nós turistas no restaurante vai para uma série de obras sociais que Oliver toca em pessoa na região.
Outro excelente restaurante é o San Telmo que oferece massas caseiras deliciosas. Durante o dia eles oferecem um menú do dia que inclui prato principal + suco + café + sobremesa por um preço bem bacana.
Indicamos também o Cool Beans Cafe.

El Remate, Guatemala

El Remate – pier no lago

El Remate – Pequeno pedaço de mundo indescritível. Sabe aqueles lugares bemmm pequenininhos onde tudo acontece?! Onde um monte de gente interessante se esconde?! El Remate está situado aos pés de um grande crocodilo; uma montanha imensa num formato perfeito desse réptil que para os Maias é o senhor das águas. Esse pequeno povoado fica às margens do lago Petén Itza que nessa altura mais parece o Caribe, suas águas mudam de cor a cada dia, ora pintando a paisagem em tons de esmeralda, ora azul turquesa vibrante ou um azul profundo indescritível. Como o fundo do lago tem em sua composição calcário, nos dias claros a sensação é de se estar mesmo na beira de uma praia tranquila do mar caribenho. Pra aqueles que querem curtir Tikal com a devida calma que merece, El Remate é uma excelente opção para estadia, fora as belezas e os encantos de um lugar lindo, cuja natureza é um espetáculo à parte. Conversar com os locais é mais uma experiência de vida no pequeno El Remate. Artistas, estudiosos, estrangeiros, aposentados, descendentes maias, arqueólogos – um grupo eclético ocupa o lugar fazendo valer a estadia nesse cantinho do mundo. Por lá o sol se põe no meio do lago, e todos os dias no final de tarde turistas e locais se acomodam nos piers sobre o lago para ver o show a céu aberto. Mais pra frente vamos contar algumas das histórias e passagens interessantes que vivemos por lá …

images-14Onde ficar: Posada del Cerro – a melhor opção do local. Os quartos são incríveis, tendo inclusive uma opção de quarto aberto, vale a pena entrar no site deles e ver. Os donos são um casal maravilhoso: Rai, uma brasileira de Porto de Mós e o alemão Jorge, ambos gente finíssima. A pousada tem uma vista linda do lago e é envolta de muitas árvores, plantas e flores.

Onde comer: A comida da pousada do Cerro também é deliciosa e super fresca e natural.
Mais uma dica para comer comida super caseira é o restaurante Buena Vista mais conhecido como restaurante da Dona Yoli, que tem uma mão pra preparar comida no forno a lenha que poucas pessoas na Guatemala tem.

Cultura Garifuna, Livingston - Guatemala

Cultura Garifuna, Livingston (Foto internet)

Livingston – fizemos um passeio de um dia para conhecer esse curioso destino. Partimos de Río Dulce num passeio numa embarcação de pesca local que também serve para fazer passeios turísticos. Nos juntamos à um grupo eclético só de mulheres vindas de várias partes do mundo e lá fomos nós em direção ao caribe guatemalteco. Aproveitamos o caminho para bater um papo sobre motivação como todos presentes do barco enquanto passavamos por um caminho lindo, lindo, lindo … de uma natureza abundante e que já valeu o passeio. O percurso com paradas em meio a um jardim flutuante, numa fonte de água quente natural + cachoeira e numa vila flutuante de pescadores. Depois quase 2 horas de suspiros dos gringos que nunca tinham visto nada parecido chegamos ao nosso destino: uma cidade pequena que já serviu como grande porto e a única região de toda a Guatemala com influência negra. A cultura afro é bem forte dá um tempero especial pra tudo desde construções coloridas, música, arte e até na comida. Senhoras vigorosas passam pelas ruas desfilando seus arranjos de cabelo e seus trajes típicos super coloridos que parecem sair de um filme dos anos 60. Os locais cozinham peixes e frutos do mar como ninguém e um dos pratos mais famosos é o tapado que parece um pouco com nossa moquena baiana, vale a pena experimentar.

images-14Como não dormimos no local, não temos uma indicação de hospedagem mas vimos que é fácil encontrar lugar pois o centrinho é bem pequeno. De qualquer modo nossa sugestão é passar o dia.
Existem alguns restaurantes na rua principal que oferecem boas opções de peixes e frutos do mar, legal escolher aquele que estiver com bastante gente, pois é sinal de que os alimentos devem estar mais frescos.

O engraçado é que cada um desses lugares tem características tão diversas que salvo pelo amor às tortilhas de milho encontradas em todas as esquinas e as vestimentas típicas, cada lugar é grande uma viagem em si. Talvez a Guatemala tenha sido um dos lugares onde mais aprendemos, essa terra nos fez entender o verdadeiro sentido de SER e de viver a plenitude. Essa é uma terra onde o presente tem um grande significado e vivê-lo com entusiasmo é de fato um hábito para muitos …

Por Luah Galvão

Pôr do Sol em Flores, Guatemala

Pôr do Sol em Flores

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