Walk and Talk | O que te motiva?

COMER, REZAR E AMAR – CAPÍTULO WALK AND TALK

Não sei porque nunca contamos essa história. Ela é puro amor. Ele é puro amor. Kim é o dono dessa história!
Tínhamos acabado de chegar em Bali. Eu estava realizando um sonho antigo. Minha mente já havia voado para a “Ilha dos Deuses” muitas vezes, sem nunca ter tocado os pés lá. Quando desembarcamos, não parava de sorrir… foi uma alegria sem tamanho!

“Pra chegar” alugamos um quarto em uma pousada bemmm simples em Kuta – região mais lotada e turística da Ilha. Deixamos nossas coisas em em meio ao barulho de motos e trânsito, em um quarto estranho; violeta e vermelho, claustrofóbico. Me senti uma bolinha de pebolim que bateu no quarto e voltou pra porta buscando a saída. Na rua nos sentimos livres de novo para fazer um “reconhecimento de área”.

Uma profusão de cores, cheiros e formas tomou conta dos nossos 5 sentidos. Não sabíamos pra que lado olhar. Tudo em Kuta é muito! Confesso que cheguei a me perguntar “O que tô fazendo aqui? Bali é isso?” – é claro que não era. Bali é sensacional! Mas enquanto não sabia, resolvi afogar as primeiras impressões em um bar. Escolhemos um lugar servia comida mexicana, estranha decisão pra quem gosta sempre de conhecer novos lugares começando por coisas típicas. Mas seria no tal bar ticano que conheceríamos Kim. Aí tudo fez sentido…
Kim é o apelido carinhoso de Almir, um brasileiro que na época estava gerenciando o espaço. Ouviu a gente conversando, se aproximou. Nos pegou falando sobre a claustrofobia da nossa pousada, e logo lançou: “Vocês precisam de um lugar na Ilha?”

Nosso contundente SIM, fez com que imediatamente Kim passasse a mão no telefone, ligando para um amigo que agilizaria nossa vida nos quase 2 meses que ficamos por lá! No dia seguinte mudamos para uma casinha que alugamos em um condomínio pequeno, mas super balinês, e pasmem vocês, pagando apenas 5 dólares por dia. E o Kim que tem o coração do tamanho do mundo, resolveu nos ajudar emprestando tudo que era preciso para que nosso novo lar virasse um lar de verdade. Apareceu com lençois, toalhas, travesseiros, panelas, pratos, utensílios e até um fogareiro com um pequeno botijão de gás desembarcaram em casa. E tudo veio em uma moto. Sal, açucar e café também estavam entre os mimos de Kim para nos dar as boas vindas ao nosso “comer, rezar e amar” – capítulo Walk and Talk.

Em geral não estamos acostumados com tanta doação e carinho vindos de quem a gente mal conhece, acho que a vida frenética que vivemos nos tira desse movimento empático, de nos colocar no lugar do outro e ver o que ele precisa de verdade. Mas Kim queria mesmo era ajudar, simples assim… Desse dia em diante ganhamos um irmão do outro lado do planeta com quem celebramos a vida muitas vezes em Bali. Entendemos que seu coração aberto do tamanho do mundo era uma resposta à vida, que tinha andado bem generosa com ele.

Kim é daqueles que se sintonizam com o destino e aproveitam as portas abertas para ser feliz. Chegou em Bali de férias, estava trabalhando no Japão há 18 anos, fazendo trabalhos super duros em algumas fábricas para juntar dinheiro. Muitos brasileiros buscam essa “poupança” no Japão, mas em poucos casos ficam tanto tempo assim. Kim conta que quando desembarcou em Bali começou a sentir uma alegria e uma paz tão grande, que mal se reconheceu. Sorriu sozinho e quis celebrar o que estava sentindo. Ainda no aeroporto, sentou em um lugar e pediu uma cerveja, mas a felicidade era tão grande que quis compartilhar. Chamou um grupo de taxistas que estavam de plantão, convidando todos para uma rodada de cerveja! E por lá ficou um tempo, olhando aqueles rostos tão estranhos quanto próximos, olhando ao redor, se sentindo em “casa”. Não preciso dizer mais nada… só voltou para o Japão para buscar suas coisas. Decidiu desse jeito mesmo: pisando na terra que sentiu como sua. A alma achou o lugar que queria estar!

Quando conhecemos Kim, ele já estava por lá fazia alguns anos, feliz da vida. Teve a coragem de SER. Por onde passava cumprimentava amigos e fazia festa. Ele contou que foi duro tirar a rigidez japonesa que já fazia parte do seu modus vivendi mas, uma vez brasileiro, sempre brasileiro, e assim que se sentiu “em casa”, abriu-se novamente ao mundo. Kim nos levou pra conhecer os melhores lugares da Ilha, nos ajudou a alugar uma moto, depois um carro, nos ajudou a prorrogar nosso visto, ajudou um amigo que fizemos quando se acidentou nos corais surfando. Ajudou o Dan a organizar uma festa de aniversário surpresa pra mim. Tive a sorte de comemorar por lá… foi sensacional!

Mestre Kim esteve sempre disponível, é do tipo que gosta de servir e praticar amor. Acho que se sentia tão preenchido e grato com a vida que transbordava ajudando os outros. Lindo jeito de praticar a arte de viver e amar. A pessoa se preenche de felicidade, luz e gratidão, transbordando mais felicidade, luz e gratidão.

E pra ver que a corrente de amor e luz nunca para para quem é assim… faz um tempo ele nos contou que tinha se encantado por uma espanhola fofíssima que conheceu em Bali. Pois bem, desse encontro brotou mais amor… faz um tempo nasceu Zoe; linda linda! Hoje a família está em Portugal… escrevendo um novo capítulo da história.

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