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A Era da Transparência Involuntária

Orbitamos loucamente ao redor de mensagens e submergimos várias vezes por dia nas redes sociais. Neste mundo digital a troca de informações online se tornou um dos pontos centrais da vida humana. Não importa o meio, as informações chegam até nós o tempo todo; seja conteúdo pessoal ou profissional, compartilhado ou recebido. Não são poucas as vezes em que somos tragados até algum outro “lugar”, sem desconfiar como fomos parar lá.

No meio dessa nebulosa de informações e da profusão de notícias, um fenômeno cresceu rápido, se fortalecendo na estrutura digital para se tornar o que chamo de “A Era da Transparência Involuntária”.

A sensação é de que nada mais pode ser escondido e de que tudo está vindo à tona. Vivemos uma Era em que omitir não dá garantias e mentir parece estar com as pernas mais curtas em toda a história. Um vídeo, uma foto, um áudio, um registro feito por um aplicativo… tudo colabora para a “erupção” dos fatos.

Essa sensação supera até mesmo os exemplos mais notórios, como as recentes ligações telefônicas de presidentes disponibilizadas em rede nacional ou o detalhamento de esquemas institucionalizados de corrupção e crime. A transparência se dá também nas pequenas ações das esferas pessoais do dia a dia, nas intimidades compartilhadas pelo WhatsApp ou qualquer outra informação compartilhada por qualquer meio, mas que deveria estar dentro daquilo que “conhecíamos” como privacidade. Esse texto não tem intuito de atacar ou defender limites de privacidade, mas sim de constatar o quanto é importante vigiarmos as nossas ações e palavras.

Sobre os escândalos que temos assistido, conversei com Adriana de Arruda, criadora do método BibleID, um processo de autoconhecimento que conduz pessoas a reverem, ressignificarem sua própria história, identificarem seu Propósito e se realinharem a seus planos de vida. Para exemplificar a situação Adriana usou a seguinte analogia: “É como se tivesse estourado a tampa de um bueiro que não aguentava mais segurar tanta sujeira. Esse transbordamento está trazendo à tona crenças limitantes, padrões ultrapassados, polarizações que ainda estão no inconsciente coletivo. Não dá mais para continuar a construindo sobre bases erradas, é preciso uma ruptura, uma limpeza, para que possamos edificar daqui pra frente sobre bases corretas”.

Será que não é momento de revermos de uma vez por todas nossas bases? Tanto no âmbito pessoal como dos sistemas sociais onde estamos inseridos. Será que não é momento de deixar o medo de olhar para a sujeira que jogamos para debaixo do tapete? Pois um dia ela pode se acumular ao ponto em que não será difícil tropeçar nesse imenso volume, e aí a queda será garantida, nos forçando a olhar para tudo que tentamos negar. A atualidade presencia uma cobrança pelo caminho da verdade, pois a transparência e a revelação dos fatos, praticamente, não depende mais da nossa vontade.

Os que se deparam com o que não gostam de ver sobre si mesmos culpam a tecnologia, mas ela é apenas o meio por onde isso acontece. E ao mesmo tempo em que isso parece injusto, prejudicial ou limitante, estimula a todos a aumentar o nível de consciência e botar para funcionar com mais frequência o termômetro da verdade.

Sentimos a máxima de Frank Outlaw puxar nossos pés:

“Vigie seus pensamentos, eles tornam-se palavras.
Vigie suas palavras, elas tornam-se ações.
Vigie suas ações, elas tornam-se hábitos.
Vigie seus hábitos, eles formam seu caráter.
Vigie seu caráter, ele se torna seu destino.”

Então melhor vigiarmos mesmo nossos pensamentos, palavras, atos, hábitos e caráter pois se não vigiarmos, o mundo à partir de agora estará vigiando por nós!

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Por Danilo España

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