Não consigo precisar o número de vezes que escutei a palavra Pachamama ou vi suas inúmeras representações. Nas regiões de Cusco, Vale Sagrado e Titicaca, todos sabem, reconhecem e reverenciam a “Mãe Terra” peruana.

Pacha na língua nativa significa mundo, terra, lugar, tempo… e Mama é a mãe. Pachamama, ou Mãe Terra, é a figura feminina símbolo da fertilidade e da abundância, daquela que sustenta a vida, cria, gera, cuida…

O Perú, mesmo diante da dominação espanhola, conseguiu preservar sua herança indígena, que hoje renasce com força entre jovens e adultos de diferentes gerações. Por onde passamos, os símbolos que representam a Pachamama estavam bem presentes, adornando lares, o comércio ou mesmo sendo usados como acessórios de proteção.

No mundo andino, senti uma exaltação do feminino, que transborda o mundo dos símbolos se fazendo presente através da mulher peruana, sempre adornada, cuidando dos filhos, dos negócios, da lavoura, da casa. A mulher é muito presente no cotidiano e muitas vezes, é aquela que ancora e sustenta a família. A avó é outra matriarca com grande peso e respeito nas regiões onde a cultura indígena está mais preservada. Isso sem falar nas “Pachamamas” modernas, mesmo nas grandes cidades.

Passeando por outros cantos do mundo, a figura feminina já foi protagonista de muitas culturas ancestrais, simbolizando não só a cuidadora e geradora da Terra e de seus frutos, como também já foi símbolo-maior da temperança, sabedoria, do sagrado, do amor e por aí vai…

As sociedades modernas se distanciaram da energia do sagrado feminino, oprimindo suas virtudes e dons – tão necessários para o equilíbrio do coletivo. Ao romper com a dualidade e harmonia entre o masculino e feminino, enfraquecemos a temperança, a benevolência, o amor, a beleza em lato sensu, o acolhimento, a prudência… E como reflexo, a sociedade se tornou mais violenta, insensível, intolerante, por vezes cruel.

Depois do ocorrido no Brasil no episódio dos 33 desumanos no estupro coletivo, voltei meus pensamentos à figura da Pachamama. Lembrei dos aprendizados da Terra Andina. Meu coração honrou essa energia feminina que mesmo aos poucos, sinto que renasce. Anseio que essa energia também nos brinde aqui no Brasil e em tantos outros cantos do mundo que precisam e merecem esse equilíbrio. Que as “Pachamamas” retornem com força e graça, não importanto forma, raça, credo ou cor e nos ensinem o Caminho de retorno ao Amor.

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