Matéria publicada no blog “O que te motiva” no portal Exame.
Para ver a publicação original clique aqui.

Vivemos dias de grande polêmica sobre a eleição de Donald Trump à Presidência dos EUA. Por ser um fato tragicômico, a notícia tem atormentado a vida de muita gente! Por um lado, há o incômodo daqueles que odeiam o bilionário xenófobo e que se preocupam com as consequências de suas atitudes para a humanidade. Por outro lado vemos o incômodo daqueles que acham que essa não é uma preocupação que cabe, por exemplo, à nós brasileiros, que deveríamos nos preocupar primeiro com a nossa vida, depois com o nosso bairro, cidade, país e quiçá mundo. Não importa em que grau dessa escala estejamos, o importante é usar esse acontecimento para tentar entender melhor o mundo em que vivemos e aprender assim a navegar por ele.

Eu e Luah já viajamos um bocado, e principalmente na volta ao mundo, vimos in loco várias realidades muito peculiares. Falo aqui das características políticas, sociais, econômicas, históricas, geográficas e culturais que descobrimos ao viver um pouco em cada lugar. Nessa experiência “internalizei” que cada passo da humanidade é baseado em uma rede muito mais complexa de acontecimentos, interesses e objetivos do que costumamos analisar.

Sobre Trump, a análise também é complexa e demanda uma passeada na história para ententer como e porque foi eleito. De qualquer modo, a tônica da chegada dele ao poder é o fortalecimento da “polaridade”, que em termos meteorológicos agora atinge a estratosfera! Com isso, a dificuldade em encontrar uma posição que não esteja em um extremo ou em outro, não só na política, ficou ainda mais gigante. Ultimamente parece que sempre nos restam apenas duas opções 100% contrárias e excludentes, sem chances de aceitar que existem pontos positivos de um e de outro (que somados poderiam gerar inúmeras soluções). De extremismos o mundo está recheado, e ficou claro ao longo da história que nenhum deles teve boas consequências. Enquanto o pensamento global seguir a linha do “nós contra eles” continuaremos fadados ao fracasso e correndo sérios riscos de continuar a ver figuras como Trump pipocar pelo planeta em diferentes manifestações: políticas, sociais, ambientais, econômicas, etc…

Na minha opinião, o início de uma polaridade global tem a ver com as relações de “exploração” que foram estabelecidas na época dos grandes impérios. A conquista de territórios vizinhos ou ultramarinos se apropriou de parte do que tinham de melhor, travestiu costumes, religiões, culturas e dizimou sociedades, aniquilou recursos naturais, destruiu arte e sumiu do mapa com diversos legados que teriam valor incalculável para a humanidade.

Enraizou-se pelo mundo o dominador e o dominado. Não entendo como não percebemos que está completamente equivocada a ideia de que para sobreviver precisamos conquistar o que é dos outros, ou que devemos manter à sete chaves o que consideramos nosso, seja um território, um recurso natural, descobertas científicas ou tecnologias que podem ajudar o mundo. Já está claro que nossa única chance de um futuro decente é entendermos o compartilhamento como uma chave de funcionamento e não a exploração. E até para conseguir esse feito precisaremos nos unir, não é na polaridade que algo vai ser construído.

Mas se pode haver um lado bom nessa história toda, é ver Trump como uma figura que ilustra muito bem a situação polarizada em que vivemos. Se ele tomar as atitudes que prometeu, vai mostrar para o mundo definitivamente como esse modus operandi não funciona mais. É como se fosse um alerta global para que possamos rever nossos caminhos: o alerta Trump!

A exploração moderna precisa ser outra! Explorar pode ter um sentido muito mais nobre do que “arrancar do outro”, explorar pode ser amar o outro, construir com ele, ter uma ação conjunta para descobrir novas coisas, investigar, buscar soluções, compartilhar ideias com objetivos comuns, onde não há “nós contra eles”, mas apenas “nós nesse planeta”. E o que vai promover esse consenso coletivo são as atitudes e os comportamentos individuais se alinhados a esse novo norte. Os que se desalinham deixam de contribuir para um mundo mais colaborativo, cocriativo, flexível e criativo. Só o amor nessa exploração do viver pode dar a medida certa para construirmos um mundo mais sensato!

Por Danilo España

No Comment

Comments are closed.

You may also like