copo cheio

Folheando uma revista de saúde durante nossa estadia na Austrália encontrei um artigo interessante apontando algumas ações que ajudam no combate ao stress excessivo, achei as dicas muito bacanas e caem como uma luva pra nós que muitas vezes somos fadados à condições nada ideais de pressão e temperatura, tanto em nosso trabalho como em nossas vidas pessoais. Parece que ultimamente o tempo encolheu, as responsabilidades triplicaram e normalmente estamos sempre correndoooo-o-o-o … e eu me incluo nesse grupo. No fundo sabemos o quanto precisamos desacelerar e respirar …

Uma pesquisa das Nações Unidas divulgou recentemente que o stress relacionado à ansiedade e ou à depressão é a segunda causa-mortis no mundo, perdendo apenas para os problemas cardíacos. O sinal de alerta está aí e vale a pena prestar atenção pra não nos tornarmos reféns da nossa própria conduta excessiva.

Fazendo um paralelo com a cultura helênica, uma das civilizações de maior desenvolvimento humano (Grécia sécs XV-V a.c – referência para o embasamento da nossa pesquisa), acreditava-se ser a saúde um dos pilares fundamentais para motivação e entusiasmo. Os helênicos tinham a crença de que o acúmulo de “sujeira interna” – medos, rancores, frustrações, ciúmes, invejas, tensões, etc … – era responsável pela perda de saúde e promoviam portanto paradas cotidianas para “esvaziar o copo”, evitando assim os tão conhecidos “transbordamentos”.

Os helênicos eram habituados a frequentar os banhos gregos que ao contrário do que se imagina, não envolviam nenhuma malícia ou conotação sexual. Os banhos eram locais públicos destinados a limpeza e purificação, onde os habitantes da Polis (cidade) podiam banhar-se com sais, óleos e essências fazendo uma pausa não só para seu banho diário como também para reflexão e meditação. Se necessário conversavam com conselheiros e administradores sagrados chamados “Hetéros e Hetéras”, detentores de exímio conhecimento e sabedoria. Os sacerdotes auxiliavam na limpeza da “psiquê”, colocando os cidadãos frente a frente com os mistérios de sua existência, na busca do real e verdadeiro sentido da vida. Os helênicos frequentavam os banhos com peridiocidade, usufruindo de sua maior função: a limpeza interna.

A crença no equilíbrio entre corpo e mente era considerada premissa essencial para uma vida saudável e plena. Infelizmente não temos os banhos públicos gregos e muito provavelmente se os tivéssemos, sua essência estaria desvirtuada pois foi perdida após o domínio Romano sobre Grécia, de qualquer modo a busca do equilíbrio pode ser feita através de vários outros caminhos. Agora sim, vamos voltar à revista australiana e aos recursos disponíveis pra nós “mortais” do séc XXI:

– Os exercícios físicos ajudam a nos sentirmos mais relaxados e positivos. Vários esportes como tenis, natação, bicicleta, caminhada, corrida, dança, promovem o mesmo efeito da meditação, uma vez que a atenção é colocada nos movimentos físicos e no corpo enquanto se está praticando. As atividades físicas ajudam a liberar endorfina, substância química que nos dá a sensação de prazer e bem estar. Essa foi a dica da Clínica The Mayo, nos Estados Unidos. O negócio é escolher um esporte que lhe convenha e foco no exercício que com certeza a sensação de bem estar virá !

– Respirar para recarregar, essa é a dica da consultora de bem estar Lindsay Tighe, ela acredita que devemos encontrar um cantinho especial onde possamos nos sentir bem, seja em nossa casa, num parque, jardim, ou em qualquer lugar próximo da natureza, e o segredo é simples: basta parar um tempo, concentrar a atenção em coisas boas e respirar profundamente durante 10 minutos. Essa é uma técnica fácil, sem custo algum e que transporta a mente e o corpo pra um lugar distante da rotina e das tensões do dia a dia. Caso seja possível escutar um som agradável e estimular o olfato com essências, bacana também, de qualquer modo, para a consultora, qualquer parada regular para recarregar já ajuda a quebrar a tensão, a idéia é que se faça essa prática pelo menos uma vez por semana.

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– Ouvir sons da natureza ou música clássica 30 minutos por dia ajudam a desacelerar e relaxar. Uma pesquisa feita na Tailândia com mulheres grávidas sofrendo de altos níveis de tensão, ansiedade e depressão mostraram que após 2 semanas adotando essa simples prática os níveis tinham voltado a normalidade. Não importa se na volta do trabalho, se antes de dormir ou até dentro do carro escutar um bom Beethoven, Debussy ou até qualquer música com sons da natureza pode ser muitooo relaxante.

– Pequenos rituais diários e alguns mimos também ajudam é o conselho de Lyndall Mitchaell, fundadora do Retreat Spa. Ela diz que devemos encontrar pequenos rituais pessoais que nos ajudem a baixar a tensão, e eles são extremamente simples, como: ler um bom livro, parar para um alongamento, massagear os pés, fazer massagens no corpo, uma boa sauna, … mais uma vez aquela paradinha pra um encontro “consigo mesmo”é vital para reestabelecer as energias, avaliar o que deve ser mantido e o que deve ser jogado fora.

Essas são algumas dicas simples mas que mostram que a essência dos rituais de limpeza e purificação continua em alta e nunca se fizeram tão necessários! Com a energia em equilíbrio a saúde e o vigor se mantém, proporcionando inclusive um aumento de produtividade, auto-estima e motivação. Pena não termos mais o advento do banho grego que além das águas termais, óleos e essências ainda contava com o apoio dos sacerdotes na busca do equilíbrio do corpo e alma, acho que a experiência devia ser boa demais!

(A retomada de conceitos da civilização helênica é uma das premissas do nosso projeto, batizado como Walk and Talk. Gostaria de fazer um agradecimento especial ao Prof. Dr. Viktor D. Salis, nosso consultor e amigo)

Por Luah Galvão

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