mudar p cenario

Cenários nos ambientam em tempos e movimentos diferentes. Os espetáculos usam o artifício cênico para transportar os espectadores para a realidade que o enredo deseja. Os grandes musicais, mestres em trocar o cenário diversas e mágicas vezes, usam esse artifício para gerar novos climas, sensações e despertar os 5 sentidos  da platéia elevando subliminarmente o entusiasmo e o prazer pela obra.

Assim como esses artifícios criados e estudados para nos transportar à realidades mágicas, nos tirar do cotidiano e gerar entusiasmo, a troca de cenários na vida real é também uma ferramenta poderosa de criação, inovação e ação. Os ambientes aos quais pertencemos, ao longo do tempo correm o risco de mecanizarem nossas ações e pensamentos. São poucos aqueles que conseguem arejar mente e raciocínio sempre envoltos pelas mesmas “4 paredes”. O ser humano vibra com o novo, com a surpresa e com a quebra de rotina.

Nos mais de 2 anos viajando, não só percebemos como a troca de cenários é mesmo propulsora, como entrevistamos muitas pessoas e viajantes de todo o mundo que nos disseram que buscaram o artifício da troca de cenário para a promoção de um sabático, ócio criador, aprimoramento pessoal ou profissional. Quando rompemos com a rotina e com o comportamento padrão em que estamos inseridos, mesmo sem perceber, liberamos nosso corpo e mente para recriar novas realidades e portanto, novos  pensamentos e ações.

A troca de cenário não precisa ser tão radical como uma Volta ao Mundo ou uma viagem longa. Inúmeras são as formas de reciclar, trocando nossos cenários mesmo que de modo mais passageiro. Criar uma anti-rotina que gere espaço para criação de novos modelos já é um respiro oxigenante e vibrante.

Podemos ser transportados para um oásis do Marrocos através de um espaço calmo e verdejante ao lado de nossa casa ou para as colinas francesas, sentados no mato cerrado do campo de um interior qualquer desse Brasil. Um cinema numa tarde de sol pode nos levar às vielas européias ou às cores da Ásia. Sair da rota diária pode nos fazer conhecer horizontes que não conhecíamos no nosso próprio bairro. Um final de semana num lugar desconhecido também ajuda na troca de cenários. O que precisamos é comprometer nossos sentidos com o novo, e não com a enxurrada de pensamentos rotineiros e traiçoeiros que são tão comuns no exercício da nossa mente. Abrir os olhos para ver, os ouvidos para ouvir, o tato e as narinas para sentir e o paladar para degustar de verdade, nos ajudam à compor a experiência da troca de cena de forma completa. Até mesmo uma Volta ao Mundo não marcará a troca de cenários se não embarcarmos de peito aberto para abraçar legitimamente o novo.

Minha proposta é uma reflexão sobre a quebra do comportamento padrão que nos tira o brilho do novo, buscando encontrar até mesmo no dia-a-dia, momentos de troca genuína desse padrão. Faz um tempo fiz um curso, que através de exercícios super simples, propunha um novo olhar diante da rotina. Certa vez me pediram que durante uma semana eu trocasse todos os caminhos que estava acostumada a percorrer, e numa outra, tinha que fazer algumas travessias à pé ao invés de usar o carro, mas com a proposta de andar calmamente observando “de verdade” o meu entorno. Posso garantir que tive momentos de puro maravilhamento em relação à vida. Meus 5 sentidos se ampliaram e o tempo alargou. Fui mesmo transportada para muito além da minha rotina e oxigenei corpo e mente.

Na prática, isso acontece pois o inconsciente humano é um grande armazenador de dados captados pelos 5 sentidos, que mesmo sem nosso controle, influenciam nossa rotina. O lado consciente do cérebro é depósito pobrezinho de armazenagem se comparado ao lado não tangível da mente. Todas as informações que nossos 5 sentidos captam geram um fluxo imediato de cerca de 11 milhões de bits de informação por segundo; uma quantidade impressionante de dados que vão para o nosso HD central. Essas infos combinadas são capazes de modificar nossa vida, mesmo que não de forma consciente. Quando estimulamos nossa cabeça com a troca de cenários uma avalanche de novos dados começa a nos invadir ocupando novas gavetas e se associando à outras informações lá armazenadas. O processo criativo assim começa e a cada novo movimento mais estímulos são combinados. Precisamos ser estimulados para gerar um fluxo de novos pensamentos e ideias que mais para frente se transformam em sonhos e desejos, e depois ações.

Quando experimentamos a mesma rotina e processos, combinamos sempre as mesmas informações e nossa “produção” acaba ficando limitada. Quando nos submetemos saudavelmente a novos estímulos, imediatamente estamos forçando nossa mente a sair da caixa padrão, processando novos dados. Tudo que nos faça quebrar  rotina e padrão trazem um benefício enorme em termos de criação e construção. Nesse processo, a troca de cenário gera um resultado ainda mais completo pois nosso microcosmo confortável dá espaço para um ambiente com estímulos totalmente novos e geradores de inovação.
A experiência humana tem dessas “chaves” e conhecê-las pode nos mover e motivar muito mais do que imaginamos. Vale a pena se entregar …

Por Luah Galvão

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