Como sempre gostei de água e competi natação por vários anos tinha muita curiosidade de como seria mergulhar, mas confesso que algumas preocupações rondavam minha cabeça e até alguns receios! Por exemplo, não sabia se me sentiria à vontade respirando através de um equipamento ou como seria compensar a pressão nos ouvidos com medo de estourar os tímpanos durante a descida. 

Já ouvi muita gente dizer que é apaixonada por aquilo que faz, mas Allan Piccinin, amigo, instrutor de mergulho e protagonista da história de hoje, me fez presenciar a incrível relação de Amor que um homem pode ter pelo mergulho e por uma interação de respeito com a vida marinha.

Quando conhecemos o Allan, através da World Adventure Society, vi seus olhos brilharem ao falar do que o mergulho significava para na sua vida. A maneira com que descreveu a experiência e a tranquilidade que passou em sua fala definitivamente me convenceram, logo pedi para que me avisasse sobre uma próxima oportunidade. E não é que esses dias ele cumpriu sua palavra? Compartilhou comigo a saída que faria em direção ao Parque Marinho da Laje de Santos, 40 km mar adentro partindo da Marina de São Vicente. Apesar das praias da região não serem conhecidas por águas claras e exuberância de fauna marinha, a Laje, por estar mais afastada, é um ponto de mergulho incrível, pois dá um verdadeiro show de visibilidade e diversidade de espécies. Tanto, que Allan considera um dos melhores lugares do Brasil para a prática. 

E lá fui eu fazer um “Mergulho Discovery” (para quem não entende termos técnicos assim como eu, essa é a oportunidade para quem nunca fez um curso de mergulho poder desfrutar da experiência subaquática). Quando vi a previsão do tempo achei que não ia rolar pela frente fria e tempo nublado. Mas pra confirmar que realmente existe aquela lenda da “sorte de principiante”, o clima não atrapalhou o mergulho e até chegou a abrir um solzinho em alto mar. Com a boa visibilidade da água encontramos várias espécies peixes, vimos outro mergulhador fotografando uma lagosta que parecia posar para a foto sobre uma pedra, cruzaram nosso caminho algumas tartarugas, duas barracudas enormes e para fechar com chave de ouro avistamos o raríssimo Peixe Lua. Acredite se puder, mas essa foi a primeira vez que o próprio Allan e todos que estavam abordo viram ao vivo o tal peixe que é típico do pacífico norte! 🙂 Para ter uma ideia de quão difícil é avistá-lo, Allan já fez cerca de 1000 mergulhos e nunca tinha tido esse contato. 

Mergulhar foi marcante e muito emocionante. As maiores preocupações que tinha foram se dissolvendo tranquilamente ao longo dos 2 mergulhos que fizemos por todo o profissionalismo que Allan e Vlamir transmitiram. Cada minuto da exploração foi acompanhado de perto por um dos dois, que cuidaram minuciosamente do controle de todo o equipamento. 

Foi realmente um dia incrível, com inúmeras descobertas de um novo universo para mim. Relatei aqui minha experiência para poder introduzir a história do Allan, amigo recente, mas um ser humano que já admiramos muito e que se destaca claramente pelo amor àquilo que faz. Tamanho é esse amor, que fundou a Toca do Mergulhador – Clube de Mergulho, grupo que hoje reúne mais de 400 pessoas de várias partes do Brasil e programa diversas saídas, encontros, viagens e mergulhos pelo mundo. 

Por incrível que pareça, o mergulho ainda não é a atividade principal de Allan. Durante o dia assume as áreas financeira e de tecnologia da informação de uma empresa de médio porte. Para ver que nem sempre é necessário que a nossa paixão seja fonte de sobrevivência, o importante é nunca negar aquilo que amamos, pois isso é o que nos nutre de energia. Seu tempo livre tem destino certo: o universo do mergulho, seja na manutenção do grupo, no planejamento das saídas, na busca de informações sobre novas tecnologias, equipamentos, técnicas ou materiais para fotografia subaquática (no caso dele, paixão complementar ao mergulho).

Allan falou muito sobre o respeito ao meio e à fauna marinha. Achei muito bacana quando disse “Não adianta nadar atrás dos peixes como se fôssemos caçá-los, temos que deixar que eles e outros animais venham até nós.” Deu para notar que Allan se integra no meio aquático como mais um elemento que compõe a cena, de maneira suave e contemplativa! E completou “Para mim cada mergulho é uma grande oportunidade de autoconhecimento, o silêncio me faz entrar em contato profundo comigo mesmo.”

Acredito que cada um tem sua paixão e Allan é extremamente consciente da sua. Se a vida de cada pessoa é uma somatória de momentos, Allan tem colecionado ótimos deles em suas aventuras pelas águas. É só conversar com ele por 5 minutos e vai sentir motivação transbordar e ver seus olhos brilhar. Tenho certeza que essas mesmas qualidades e esse mesmo amor, cada um pode aplicar em sua vida para algo que goste. Allan ensinou que a riqueza das nossas experiências está na capacidade de “mergulhar” naquilo que amamos e fazer bem feito! 

PS. Agradecimentos especiais à toda equipe da operadora ATM DIVER que mandou muito bem!

Por Danilo España

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