Viajando pelo Sul de Minas paramos em Camaducaia. Lá conhecemos seu Fernando, mineirinho bueníssima gente que mesmo depois de se aposentar, não conseguiu ficar parado e seguiu trabalhando. Passou a vida fazendo estofamento de móveis, é daqueles profissionais tão bons que já não existem mais no mercado. De cadeiras a sofás passando por poltronas cheias de detalhes, esse foi o “mundo” onde seu Fernando dedicou a maior parte do tempo. Depois que se aposentou, decidiu dividir o seu dia: parte fazendo sua arte e parte cuidando de um sitiozinho onde vive próximo à cidade.

E foi nos contando sobre sua vida no sítio, lotado de animais, que mais um “LovTalks” começou. Fernando é daquele tipo de gente amável no tratar, gente que olha no olho, que transmite tanta paz e serenidade que o tempo pára. 

“O Sr. é sempre assim?” – perguntei me referindo ao seu jeito calmo e amoroso.

“É minha filha, pra que ser diferente? Correr pra quê? Ser nervoso pra quê? Gosto da minha vida e não vale estragar o que é bom ficando ‘brabo’. Sabe, aprendi que não tem nada melhor do que viver no amor.” 

E seguiu: “Faço tudo com amor. Sempre trabalhei e ainda trabalho com amor, trato todas as pessoas assim, inclusive, falo a língua do amor até com os bichos lá de casa. Você precisa ver!!!” – 

E Fernando nos contou coisas incríveis que acontecem à partir dessa conexão amorosa: “Sabe que em casa os bichos se comportam de um jeito diferente de todos os lugares? Acredita que meu ganso não come os ovos das galinhas? Comeu só uma vez, mas eu conversei com ele, expliquei com amor que ele não devia fazer isso e o bicho entendeu. Nem correr mais atrás delas ele corre.” 

E seguiu: “E meu cavalo, acredita que ele deita no meu colo como criança? Ele me vê e pede colo, deita no chão, apoia a cabeça e depois olha com o canto do olho pedindo cafuné. Ele é tratado que nem criança! É lindo de se ‘vê’! Tem gente que vai em casa pra ver se é verdade mesmo que um cavalo deita no colo.”

“Meus bichos todos vivem na maior paz. Mas isso porque nunca brigo, só converso. Eu uso com eles a linguagem do amor. E não é que eles me entendem?!”

Pois é gente, e quem não entende a língua do amor? Esquecemos que estamos todos conectados: nós seres humanos, e a gente com a natureza. Não há separação. Seu Fernando com seu jeito simples e terno, ensinou pra gente sobre as coisas simples e belas da vida.

E que a linguagem do amor seja cada vez mais usada para quebrar as barreiras de conexão. Fiquei é com vontade de aceitar o convite do Seu Fernando pra conhecer o tal cavalo. Vai ficar nos nossos planos uma passagem pelo seu sítio.

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