Sair de Roncesvalles e chegar a Finisterre significa cruzar a Espanha de ponta a ponta. Até Santiago foram 51 dias de Caminho sem ver o mar.

Durante essa longa jornada de quase 2 meses, desviamos da rota para conhecer alguns pontos de interesse fora do Caminho e paramos por mais tempo em lugares que sentimos mais sinergia ou vontade de explorar.

Chegar a Finisterre foi um respiro diferente por apreciar um horizonte marítimo. O pôr do sol é famoso, assim como o ritual de queimar alguma peça usada na peregrinação, o que acontece no Farol, a 3,5 km da cidade de Finisterre.

No dia seguinte à nossa chegada curiosamente reencontramos Luis, um amigo que fizemos no Caminho. Ele é espanhol e já fez à pé todos os principais Caminhos que levam à Santiago. Dessa vez ele está de bicicleta e seu objetivo é pedalar até a Jerusalém…

Quando fez seu primeiro Caminho era executivo, estava em um momento em que repensava sua vida. Trabalhava muito e não estava mais vendo sentido no que fazia. Um dia, assim que ligou a TV viu escrito na tela “Caminho de Santiago”. Sentiu um profundo chamado, foi até o computador e comprou sua passagem para iniciar a caminhada em poucos dias. Disse que não sabia nada sobre a jornada. Foi até uma loja de artigos esportivos e saiu de lá com tudo e mais um pouco. Contou rindo que sua mochila era a maior do Caminho e que em pouco tempo acabou deixando parte dos exageros comprados. No início não tinha grandes expectativas, mas quando chegou à Finisterre havia sofrido tamanha catarse que mudou completamente de vida.

Abandonou o cargo e nos 2 anos seguintes caminhou por todas as rotas existentes que levam à Santiago. Faz a rota francesa e quando chegou a Finisterre voltou para o ponto de partida, fez a rota portuguesa e quando chegou ao final, bateu e voltou e assim fez com todos os Caminhos durante os tais dos 2 anos. Trabalhou como hospitaleiro em vários lugares, depois construiu um albergue, ajudou na construção de outros e assim tem passado os últimos 4 anos. É um cara entusiasta e feliz… Feliz mesmo, desses que inspiram!!

O conhecemos no Albergue Verde em Hospital de Órbigo, voltamos à encontrá-lo mais perto de Astorga e depois em Finisterre. Estávamos prestes a ir para o Farol quando ele nos disse: “O que vocês vão fazer no Farol? Eu vou ver o pôr do sol da Praia de Fora, geralmente fazem uma fogueira, algumas pessoas tocam música e o pôr do sol é muito mais lindo do que no Farol. Deixem para ir lá amanhã pelo dia! Hoje vocês vem comigo! Não é à toa que estamos nos encontrando novamente… e bem aqui!!”

Confiamos na sincronicidade e aceitamos o convite. Passamos no mercado, compramos algumas coisas para compartilhar e fomos juntos para a praia.

Luis estava certo!! Tivemos um pôr do sol mais que especial, o lugar era lindo!! Em meio à areia branca, um vento suave batia em nossos rostos, de um lado uma lua fininha marcava o horizonte, do outro o sol do fim da terra” se despedia deixando um rastro vermelho no mar. Pra nós foi um momento de emoção. Emoção por cumprir a jornada, por ter a exuberante natureza nos brindando, por celebrar com música, uma enorme fogueira e principalmente por estar ao lado de amigos; do Luis que conhecemos na jornada e ao lado da Gabi e do Diego – casal do Hands on Dream, que veio de Portugal para nos encontrar na última etapa da nossa viagem. Sobre esse encontro dos casais de viajantes falamos num próximo post!!

Mais uma vez encontramos com o fim, dessa vez o “fim da terra”, que tanto pensamos durante nossa jornada. E foi assim que um novo Caminho começou na vida de cada um de nós…

Ultreya!!

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