Todo esforço exigido no Caminho é recompensado por seus inúmeros presentes, alguns mais valiosos do que se pode esperar. Foi o caso de uma amizade super especial entre nós e duas americanas. Seus nomes: Maria e Junia, que com todas as letras se tornaram nossa família no Caminho.

As conhecemos em Grañón, logo após Santo Domingo de la Calzada. Tudo começou em um encontro aparentemente despretensioso e verdadeiramente feliz. Entramos em um café, cumprimentamos a dupla que retribuiu com uma simpatia acima da média! De repente o papo começou, engrenou. Não faltavam assuntos afins, criou-se uma sinergia tão forte e verdadeira que quase 10 dias depois ainda estaríamos juntos e mal sabíamos que nos tornaríamos o que chamamos de família espirutual.

Maria é de Ashville, trabalha com massagens bioenergéticas. Junia mora em Denver e tem uma empresa chamada “Divine Tours” que organiza vivências para aqueles que buscam uma jornada espiritual através de viagens. O Perú é um de seus principais destinos, aliás, lugar em que se conheceram tornando-se grandes amigas. Junia fazia o Caminho de Santiago para avaliar a possibilidade de levar grupos especias ao mesmo tempo em que buscava sua própria evolução pessoal. Maria percorria pela segunda vez o Caminho, tentando se aprofundar em certas questões. A sinergia das conversas foi tão boa que nos fez convidá-las para ficar conosco em nosso destino daquela noite, o Refúgio de Acácio e Orietta, assim o papo poderia continuar…

Como previsto nos reencontramos naquele final da tarde. Que momento mágico!! Nós 4 nos sentíamos como os 4 personagens de Oz, rumando pela estrada de pedras amarelas. Santiago era de fato nosso Oz e passamos a compartilhar risos, histórias, descobertas, transformações… Apesar dos rítmos diferentes de caminhada, a sicronicidade sempre nos trazia coincidências malucas e improváveis. A amizade e afinidade foram crescendo e em poucos dias tínhamos compartilhado as experiências e fatos mais importantes das nossas vidas.

Nos ajudamos, confortamos e compartilhamos momentos e experiências que o Caminho nos colocou. Tínhamos um único aperto no peito: sabíamos cedo ou tarde uma despedida aconteceria. Elas tinham menos tempo do que nós e em algum momento precisariam avançar pra chegar ao ponto final. Nos despedimos a primeira vez em Carrión de los Condes, não aguentamos a saudade e voltamos a nos encontrar. O tempo estava ficando apertado pra elas, e foi em Hospital de Órbigo que fizemos um rito de despedida. Lágrimas correram à solta. Os corações apesar de tristes pelo momento, sabiam o quanto tinham sido agraciados por aquele encontro. Agradecemos por aquela oportunidade de uma amizade tão sincera e verdadeira.

Chegamos a conclusão que as despedidas acabam fazendo parte da vida dos viajantes e de todos aqueles que de alguma forma se aventuram. Naquele momento lembramos dos bons amigos que fizemos em nossa Volta ao Mundo. Lembramos de cada despedida. Lembramos de nossos amigos do Brasil, de quem tantas vezes ficamos distantes mas que a amizade soube atravessar o tempo e o vento. Tivemos a certeza de que as verdadeiras relações desconhecem fronteiras e que o amor pode sim voar e tocar, mesmo que à distância.

Quanto à Maria e a Junia, temos mantido contato! E como acreditamos nas sincronicidades e nas voltas da vida, mantemos a certeza de um dia reencontrá-las, não importando onde nem quando.

E assim se faz o Caminho… de encontros, despedidas e de amor…

Ultreya!

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