Sou fascinado por paisagens diferentes, sejam elas nas cidades ou na natureza. Adoro ver como cada canto do mundo tem seu formato único, seu clima, sua cultura e cores. Quando ouvi falar da região do Valle del Colca tive vontade imediata de conhecer.

Além de estar recheado de terraços agrícolas pré-incas, sítios arqueológicos, cidades coloniais espanholas e muita história, os visuais são pra lá de lindos. Esse vale está encravado na Cordilheira dos Andes, há uns 160 quilômetros da cidade de Arequipa (ao sul do Perú) e possui cânions que chegam a mais de 4000 metros de profundidade, praticamente o dobro da profundidade do Grand Canyon nos Estados Unidos.

Muita gente se aventura a fazer trekking pelo vale, desfrutar das paisagens, das águas termais que existem em alguns pontos e também ver o voo dos condores. No topo de uma das partes mais profundas do vale há um mirante, que o local mais propício para avistar o voo dos condores. Essa ave, que pode chegar a quase 3 metros de envergadura, é um importante símbolo cultural, pois está presente em toda a cosmovisão dos Incas. Para eles esse animal era adorado e visto como sagrado. Simbolizava uma espécie de mensageiro, que fazia a conexão entre o céu e a terra. Também era apreciado por ter a visão do alto e voar em grandes altitudes serenamente, apesar do seu tamanho imponente.

Para ir em busca desse mirante, partimos de Arequipa e passamos uma noite em Chivay. Na manhã seguinte percorremos mais alguns quilômetros até o local ideal para tentar ver um condor em pleno voo, apesar do dia bastante nublado. Descemos do ônibus e depois de 40 minutos de caminhada beirando enormes precipícios no vale chegamos. A expectativa era grande pois era uma viagem de 2 dias e esse um dos momentos mais importantes.

Tinha bastante gente no local, todos fazendo um raio-x com os olhos na tentativa de ver algo. Mesmo sendo aves enormes, as montanhas são tão colossais que quando avistamos o primeiro condor lá embaixo ele era um mero pontinho… Mas logo começaram a pegar as térmicas (bolsões quentes de ar) e subiram rapidamente passando bem em frente aos nossos olhos, na linha do horizonte. Aí sim pudemos ver com clareza seus detalhes e apreciar a beleza do seu voo. Tivemos bastante sorte, pois conversando com alguns guias do local soubemos que há alguns dias eles não saíam e todos que estiveram lá não puderam vê-los.

Os Incas estavam certos em venerar esse animal e também, como já comentamos em posts anteriores, o puma e a serpente, completando a trilogia Inca. Nessa viagem percebi como temos muito o que aprender observando o comportamento e as características de qualquer animal. De alguma maneira eles são parte de um todo ao qual também pertencemos. Podemos ver neles claramente, reflexos de comportamentos e aspirações humanas. Como muitos dizem, o olhar da águia serve como analogia para uma ampla visão sobre as coisas; o abraço de urso é uma brincadeira quando temos um carinho enorme por alguém; há pessoas que chamamos de beija-flores, pois polinizam os locais onde passam, e por aí vai… Para mim foi inspirador ver ao vivo o voo desse majestoso animal e essa experiência me fez pensar que todos os outros animais também são absolutamente sagrados, pois cada espécie tem características com as quais podemos aprender.

Conseguimos ver o voo do condor! E em breve contamos mais sobre essa incrível região pra vocês!

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