Nossa vida mudou demais desde que começamos o Walk and Talk, por isso somos tão gratos ao projeto. E hoje compartilhamos a realização de mais um sonho: conhecer Machu Picchu.

O Perú já estava na nossa mira desde 2010, fazia parte da primeira lista de países da Volta ao Mundo. Seria nossa última parada antes do regresso ao Brasil – um lugar para recarregar as baterias de meses de viagem e voltar com a inspiração transbordando!

Mas não podíamos imaginar que nossos planos de viajar por 6 a 8 meses se transformariam em mais de 2 anos e que 17 países virariam 28… E mesmo tendo aumentado o número de países, tivemos que cortar alguns da lista. Quando chegamos na América Latina era época de chuvas no Perú, em especial naquele ano tão fortes, que o Parque estava fechado. Não era aquele o momento, mas no fundo sabíamos que o dia de Machu Picchu chegaria.

Ir de Cusco à cidade perdida não é uma tarefa suuuuper simples. Viajamos de carro algumas horas até Ollantaytambo, onde pegamos um trem até Águas Calientes e de lá um ônibus que beirou uma série de penhascos para finalmente estacionar na frente do parque. O trajeto todo levou mais de 4 horas.

Ansiosos para avistar Machu Picchu adentramos o sítio arqueológico munidos de nossos ingressos. Passamos pelas catracas, e começamos a subir uma pequena trilha, com um visual arrasador ao nosso lado, quando depois de algumas curvas chegamos no ponto de onde já era possível avistar a cidade perdida. Automaticamente uma palavra ecoou nas nossas cabeças: COMO?

Como construíram aquela cidade em um local geograficamente tão complexo? Como foram capazes de levar pedras daquela magnitude para lá? Como atingiram um nível tão avançado de arquitetura e engenharia séculos atrás? Essas perguntas são inevitáveis e as respostas dão força aos mitos que circundam toda a cultura e cosmovisão incaica.

Justamente por todo esse contexto místico, sagrado e misterioso, tinha a expectativa de viver um momento de introspecção contemplando o visual da cidade. Esperava ter algum insight sobre certas buscas pessoais, pois já havia lido livros como “A Profecia Celestina”, que tem a selva inca como pano de fundo de inúmeras descobertas. Mas não sei se pelo grande número de turistas ou por alguma outra razão, não foi possível estabelecer uma conexão profunda com o local.

Mesmo que a realidade tenha sido diferente da minha expectativa, algo maior e mais importante foi alcançado. Dias depois me dei conta que um dos objetivos iniciais da nossa Expedição ao Perú era pesquisar o tema resiliência, e não é que Machu Picchu nos ensinou exatamente isso?

Temos que ser resilientes mesmo diante de acontecimentos positivos, ainda que nossas expectativas não tenham sido 100% alcançadas. Estar lá foi maravilhoso pois tem um visual incrível, transborda história, arte e natureza por todos os lados. Não poderia me frustrar apenas porque uma parte do sonho não havia sido realizada. A vida possui uma sabedoria maior que nossas próprias vontades ou desejos, e aprendi a respeitá-la.

Gratidão à montanha que me colocou no meu lugar e me fez entender que cada momento é um presente. Seja ele como for, temos que tentar entender o mistério.

Danilo España

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