A Expedição Perú foi um projeto rápido e muito intenso. Além do tempo curto, algumas preocupações em deixar o Brasil me fizeram dessincronizar bastante com a viagem. Naquele momento, acabava de iniciar uma nova parceria de trabalho, assumindo uma série de responsabilidades. Quando me vi tendo que deixar o Brasil quase desisti da viagem. Mas como já estava tudo certo e tínhamos conseguido apoios muito bacanas não poderia desapontar.

Cabeça para um lado, corpo para outro e o coração dividido, partimos para a viagem. O primeiro sinal da desconexão foi perder os meus óculos de grau, era nosso segundo dia em Lima. Estava comprovado que eu não iria “enxergar” a viagem direito…

E o desalinhamento dalí para frente só aumentou: a cada mudança de cidade custava a me adaptar à altitude e a sensação de cançaso era enorme… Nenhuma comida, apesar de deliciosa, caía bem. Revesei praticamente todos os dias entre mal estar, dor de cabeça e má digestão. E agora se somava o “não estar vendo” ao “não estar digerindo” a jornada.

Não posso dizer que não aproveitei, mas com certeza foi muito diferente das outras Expedições. Como comentei no post que escrevi sobre a chegada em Machu Picchu, o tema que fomos buscar era resiliência e foi isso que tive de experimentar na pele. Tentei me sintonizar com as terras peruanas e apesar da minha cabeça não estar totalmente no Brasil, também parecia não estar lá.

Viajar para mim é sempre positivo, mesmo quando as coisas não saem como esperado. Dessa vez, percebi o quão importante é ter corpo, mente e coração alinhados. Isso é o que faz com que a gente consiga mergulhar de cabeça nas experiências e vivê-las de verdade, seja uma viagem ou qualquer tarefa do dia a dia. Em alguns momentos tinha a sensação de ser um observador da jornada, tamanha minha indisposição. Olhava para o lado e via a Luah em uma vibe mais conectada e percebia a diferença. Não que eu não quisesse aproveitar, mas realmente não conseguia…

Buscando as fotos para fazer esse post comecei a rever as imagens e senti um misto de saudade com vontade de estar lá novamente para reviver a experiência de uma maneira diferente. Só na lembrança não é possível, mas quem sabe um dia eu volte para lá mais inteiro, para desfrutar tudo o que o país tem a oferecer. Foi uma pena passar por tantas maravilhas sem estar em estado de conexão.

Se eu posso compartilhar o que aprendi com essa experiência é que não adianta forçar a barra e trilhar nossos caminhos estando desconectados. Não importa se é uma viagem, uma decisão de carreira ou uma escolha do dia a dia, quando não estamos alinhados, as coisas não fluem da mesma maneira. A sensação é de que os olhos não enxergam com a mesma qualidade, os ouvidos estão mais fechados para o que diz a vida e o coração acaba não batendo por aquilo que certamente o encantaria…

Danilo España

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