Um casal de amigos argentinos nos indicou para visitar um vilarejo chamado Potrero de los Funes. “Potrero de los Funes, mama mia, que lugar será esse?!”

O nome soou muito estranho, um misto de funesto com apocalíptico, parecendo com “porteiro das profundezas” ou algo assim. Mas como o portunhol muitas vezes engana, Potrero de los Funes significa algo bem mais singelo:
Potrero é um local de criação de cavalos. E Funes é o sobrenome da família que tinha muitas terras e criava cavalos naquela região. Decidimos conhecer e não foram cavalos e pastos que encontramos por lá…

Só pra contextualizar, o vilarejo é muito diferente de tudo que vimos por aí, primeiro porque ele cresceu nos entornos de uma grande pista de corrida, tipo Fórmula 1 – batizada de Circuito Potrero de los Funes, que por sua vez contorna um grande lago no meio de belos morros e montanhas. Sendo assim, a cidade é toda circular. As ruas partem dessa enorme pista e transversais vão surgindo formando uma grande teia.

Para ir de uma região à outra basta pegar a pista de automobilismo e seguir. Demais a sensação de dirigir em um lugar desses, mesmo com um carro normal. E foi em nossas andanças que encontramos o “Estación del Lago”, um cantinho tão pitoresco quanto a própria cidade.

Os donos, apaixonados por trens, conseguiram levar alguns vagões originais e transformaram todo seu interior para acomodar hóspedes que buscam uma experiência diferenciada. Montaram um espaço super legal e confortável que dispõe de 2 quartos, uma salinha, banheiro e cozinha. Para fechar com chave de ouro, todas as janelas do trem apontam para um visual de montanha deslumbrante.

Além dos vagões, o espaço ainda conta com chalés canadenses, típicos das montanhas. Um mais lindo do que o outro. E nossa visita foi ainda mais bacana pela receptividade do casal que gerencia o local. Maria e Luis, além de nos doarem algumas horas do seu tempo, acabaram compartilhando parte de seus sonhos e de sua vida.

Ambos tem origem indígena – bem comum no centro da Argentina, e carregam em suas feições e maneira de ser, a força dos povos ancestrais. Maria nasceu em uma família de origem bem humilde, mas sonhadora desde criança, resolveu seguir um caminho diferente. Foi a primeira de toda família a terminar o que eles chamam de “secundário”. Virou técnica química e seguiu carreira em grandes laboratórios. Depois de anos de trabalho e uma carreira sólida, já não se sentia mais feliz com o que fazia. Começou a sonhar mais alto em busca de outros ares. Com Luis, a quem descreve como “um grande companheiro”, decidiu mudar radicalmente, passando a viver mais próximos da natureza. Encontraram a harmonia que buscavam em Potrero. Ambos gerenciam a Estación del Lago, aproveitando para aprender ao máximo sobre a experiência de hospedar pessoas e cuidar de um espaço. A ideia é ter o próprio negócio após essa fase de experimentação. Decidiram não ter filhos e confessam que a excelência no que fazem e os sonhos comuns os unem.

Foi bem legal perceber o quanto se admiram. Cada flor, cada detalhe, cada canto reflete o carinho de ambos com a nova experiência. Cuidam do espaço como se fosse deles. Ficamos um bom tempo curtindo o local e ouvindo as histórias narradas em tom manso e tranquilo – típico daqueles que estão desfrutando a vida que escolheram viver!

Foi muito gostosa nossa passagem pelo pitoresco vilarejo. Potrero de los Funes e a Estacíon del Lago são mais dois lugares para a listinha daqueles que adoram pegar as malas e sair pelo mundo.

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