Viagem passaporte para um milhão de sonhos - Walk and Talk

Goreme – Capadócia

Quando a gente embarca parece que recebe um segundo passaporte: invisível, onírico, com folhas infinitas. Pronto pra ser preenchido por todas aquelas coisas que a gente sempre quis fazer mas tinha medo de dar o primeiro passo, ou que achou que nunca fossem acontecer. Ou ainda que a gente achou que só fossem possíveis no mundo das histórias e lendas. Pra desfrutar desse passaporte a gente precisa de um pré-requisito: estar de peito aberto e de alma limpa para o que der e vier. Diversas vezes na nossa trip me perguntei “Meu Deus, será que eu tô aqui mesmo?!”, “Será que eu tô vendo isso de verdade?! Me belisca…”.

Os caminhos foram nos levando pra lugares que nunca tinha pensado em estar. Como comentamos algumas vezes por aqui, a viagem era pra ter durado entre 6 e 7 meses e acabou durando mais de 2 anos. Nesse meio tempo muita coisa aconteceu, muitos planos foram mudados e novos caminhos apareceram no front.

Walk and Talk caiaque centro da franca

Um belo dia estamos na França com primos que nos perguntam “Vamos andar de caiaque?!”. Claro que aceitamos na hora o convite. Estávamos em plena primavera européia numa semana de muito calor. Sim, sim, sim. Uma água era tudo o que queríamos para dar um tempo em nossas matérias, textos e pesquisa.
Lá fomos com os primos para um tour que mais parecia um teletransporte para um conto de fadas. Nessa época estávamos na região central da França, nas proximidades de Limoges, Uzerche e Toulouse. Essa parte do centro da França é algo de arrepiar, o cenário é belo, belo, belo. Um castelo antigo em cima de um penhasquinho – como nos livros de infância, por quilômetro quadrado. Tudo bucólico, perfeito, verdinho, francês…

Walk and Talk viagem pela Franca

E não é que depois de um tempo de estrada passando por micro cidades dos sonhos avistamos um rio no meio de um vale de rochas amarelas. Vimos o rio láaaa de cima da estrada e fomos descendo. Era lá, na cidadezinha de Roque Gageac que íamos desfrutar de um dos dias mais incríveis da minha vida. Caiaque já é super prazeroso, no meio de um rio francês, em cujas margens viamos castelos medievais e construções encravadas nas pedras, uma LOUCURA.

Walk and Talk France

O dia rendeu risadas, pulos de pedras altas no rio, competição de caiaques, pic nic na floresta, uma visita no castelo de Beynac, passeios pelas vielas das cidadezinhas de pedra – molhados mesmo, e terminamos o dia numa outra  cidadezinha medieval divina chamada Sarlat-la-Canéda onde estava acontecendo um festival de artes nas ruas. Com um crepe barato e muitoooo bom e um vinho barato e muitoooo bom encerramos essa página surreal da nossa viagem. Desacretidando na realidade ao redor.

Walk and Talk centro da Franca

Na Turquia vivenciamos mais uma experiência que nunca imaginamos sequer existir. Estávamos na região da Capadócia, que acabou ficando conhecida após a novela da Globo, mas como fomos antes, não sabíamos nada sobre o que íamos ver.
Num dos passeios fomos parar em uma cidade de 11 andares… SUBTERRÂNEOS!!!! Isso mesmo a Capadócia tem um complexo de 36 cidades embaixo da terra que existem desde o século VII A.C. e serviam como refúgio em épocas de ataques e conflitos. Essas cidades tinham  capacidade para mais de 20 mil pessoas e autonomia para resistir por mais de 2 anos com toda essa população vivendo debaixo da terra. O mais incrível eram os dutos de ar para abastecer os 11 andares, isso sem falar nas grandes estradas subterrâneas de mais de 8km com ligações para as cidades visinhas, também subterrâneas. Esses caminhos de interligação garantiam a segurança das cidades.

Turquia - região de Anatólia - cidades subterrâneas

Caso fossem tomadas por inimigos, a população poderia fazer a fuga por essas ligações. Vimos locais para processamento de vinho, estábulos para guardar cavalos e locais para outros animais, assim como depósitos pra muita comida. Tudo construído a partir de uma arquitetura milimetricamente funcional para que pudesse se útil. Muitos engenheiros afirmam que a construção dessas cidades é tão complexa quanto a das pirâmides do Egito. Os arqueólogos seguem trabalhando nessas jóias da construção humana na tentativa de descobrir como os antigos engenheiros firmaram tão bem as estruturas dessas cidades, mesmo em um solo tão poroso. Foi uma experiência inacreditável que nunca pensei ver ao vivo. (Pra quem se interessar pelo assunto buscar pelas cidades: Derinkuyu e Kaymakli)

Walk and Talk Capadocia -cidades subterraneas

Outra oportunidade que a viagem nos possibilitou foi viver a virada de consciência Maia em plena Guatemala. O dia 21 de dezembro de 2012 foi esperado por muitas pessoas e culturas ao redor do mundo e durante a viagem fomos compreendendo melhor a importância dessa data para os povos da Mesoamérica. Quando desembarcamos no continente americano nossa primeira parada foi a Guatemala, berço dos Maias; uma das culturas mais fortes e vivas que tivemos contato ao longo da Volta ao Mundo. Bom isso aconteceu em setembro, alguns meses antes da celebração. Já estávamos apaixonados pelo país quando encontramos uma grande mestra que nos introduziu aos mistérios e à história verdadeira dos Maias. Esse encontro foi suficiente para plantar em nós a vontade de voltar para as festividades de dezembro. Após a Guatemala embarcamos para o México e depois para os EUA, onde tínhamos um curso marcado. Acabamos o curso e dezembro chegou… não aguentamos, pegamos um vôo de volta à Tikal, principal sítio arqueológico da Guatemala e local onde se daria o encontro dos “tatas e nanas”, mais importantes detentores da sabedoria Maia ancestral do país. De repente estávamos nós lá… eu e o Dan no meio de um fluxo gigante de turistas e centenas de descendentes Maia. Participamos das celebrações em comemoração a nova era e o início de um novo grande ciclo. Foi impressionante a força desse encontro e a beleza das cerimônias celebradas por diversos dias. A sociedade Maia estava entusiasmada com o chamado renascer da humanidade e a possibilidade de um grande período de 5200 anos de luz em contraponto ao que eles chamavam de escuridão dos 5200 anteriores.

Walk and Talk na Guatemala

Danilo ajudando na construção da tenda de Temazcal – grande rito de purificação Maia.

E assim fomos viajando e deixando o queixo cair à cada nova descoberta. As histórias são muitas, mal cabem num livro… Quando estamos de mente e peito abertos, uma grande viagem pode ser muito mais do que um carimbar de passaportes e de cliques nos principais pontos turísticos, ela pode trazer para a prática sonhos que até então só tinham lugar no campo das idéias. Ela pode nos oferecer vivências que nunca teríamos na nossa zona de conforto. Pisar em ovos, aceitar o desconhecido e seguir os passos de outros verdadeiros viajantes pode revelar um mundo a parte, que nem sempre está nos livros e guias mas que está pulsante à espera dos olhos mais curiosos e abertos.

Walk and Talk na Guatemala El Remate

Entardecer no mundo Maia – povoado de El Remate pertinho de Tikal

va de trem EURAIL

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